E o Galo não foi ao Mundial. Ou melhor, foi, mas praticamente ninguém sabe, ninguém viu. Retificando: a torcida do Galo foi ao Mundial. O time não! Ao menos não o Atlético-MG que vimos na Libertadores. Aquela equipe vencedora, é verdade, predominou muito mais no Independência, no Horto que deixava os outros mortos. Era essa torcida, que foi ao Mundial, elevada à enésima potência nos jogos decisivos. Não, claro, o Galo forte e brigador não é apenas sua massa. A atuação em Marrocos foi uma espécie de "antiatuação". Teve uns brilharecos de Ronaldinho em duas magistrais cobranças de falta. E c'est fini, como diriam os locais, no francês corrente.
Não houve quem não se assombrasse com a nulidade do time. Uns logo apontaram a definição de que Cuca sairia após o torneio como um tiro no emocional. A indisciplina escancarada de Marcos Rocha na semifinal foi escandalizante. Outros, o menosprezo, que confirmaria a reversão que o complexo de vira-latas descrito por Nelson Rodrigues sofreu no transcorrer das décadas. Nós, brasileiros, teríamos saído desse estágio de baixa autoestima e adquirido o ego dos leões. Um orgulho tão dilatado que trata africanos e asiáticos como cafés com leite.
Haverá quem citará o azar. Os times brasileiros, desde que o formato global foi dado ao Mundial, nunca passeiam na semifinal. O Atlético poderia ter aberto o placar no primeiro tempo diante do Raja e tudo seria diferente. Isso não serve pra suavizar, os fatos escarnecem dos conceitos, desde que o futebol é futebol é assim. O Atlético foi sim broxante. Se sua entusiasmada torcida não baixou a crista, o Galo foi batido facilmente na rinha. Uma pena!

Excepcionalmente hoje, Benjamin Back não escreve esta coluna

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