Primeiro foi o técnico Abel Ribeiro, que afirmou que o Londrina estava atrasado em relação aos outros clubes para a montagem da equipe para o Campeonato Paranaense. Depois, foi a vez do vice-presidente de futebol Perisus Sampaio engrossar o coro, cobrando uma solução rápida. Agora é a vez do presidente Agostinho Miguel Garrote se defender.
O cartola reconhece a demora nas negociações com os reforços, mas não admite fechar nenhuma contratação antes de ter em mãos a receita do Tubarão para 2005. ''Não estamos atrasados. Estamos superatrasados, mas não vamos fazer loucuras, assumir compromissos e depois não ter como pagá-los'', retrucou.
Dívida, por sinal, foi a palavra mais ouvida por Garrote nestes 44 dias à frente do Londrina. Com seu jeito conciliador e avesso à polêmicas, está dando um jeito de quitar alguns compromissos pendentes, renegociar outros e empurrar outros até onde der. ''Neste período tentamos administrar as dívidas antigas e não acumular futuras para termos um respiro'', salientou. Ele citou ainda dois exemplos: ''Colocamos placas no gramado para saldar a dívida com o Aero Park (hotel) de quase R$ 9 mil e com o Crilon de quase R$ 6 mil.''
Com sua dedicação extrema ao clube chega bem cedo e vai embora somente à noite , cativou os torcedores, que o elogiam por onde passa. ''Sei que estou vivendo uma lua-de-mel, mas os problemas estão por vir. Aí, sai debaixo'', reconheceu.
O projeto de marketing colocado em prática no início do mês poderá ser o sinalizador das contratações. Garrote aguarda os resultados. Mas quem ditará o ritmo e o rumo dos reforços será o prefeito que for eleito hoje. Apesar de não admitir, o presidente deposita no vencedor da eleição municipal as esperanças financeiras do Londrina para 2005. A Sercomtel, empresa pública de telefonia, é a principal patrocinadora do clube R$ 50 mil mensais , e ele espera que ela continue contribuindo, independente de quem seja o prefeito.
Despesas Enquanto não pode contar com o dinheiro que está por vir, Garrote já iniciou a contagem das despesas futuras. Ele já tem preparado um estudo que apurou o que o clube gastará durante o Campeonato Paranaense de 2005.
Somente de despesas administrativas durante os quatro primeiros meses do ano, desconsiderando a manutenção do Estádio do VGD, registro e transferência de jogadores e o alvará de licença na Federação Paranaense de Futebol (FPF) que custa em torno de R$ 5 mil , ele projeta gastar cerca de R$ 39 mil.
O custo de transporte das sete viagens que o Tubarão terá que fazer na primeira fase da competição está estimado em R$ 12.280,00, o que daria R$ 3.070,00 por mês. Seriam mais R$ 1.750,00 mensais em hotéis. Para levar os jogadores aos locais de treinamento, o gasto seria de R$ 2 mil, com diárias de R$ 80.
As despesas não páram por aí. Ainda há R$ 6,7 mil com moradia e alimentação dos jogadores. Também foram incluídos os gastos durante os jogos em casa. Sem contar a energia, o clube desembolsará cerca de R$ 4,5 mil em cada partida no VGD, para pagar seguranças, funcionários da bilheteria, gandulas, maqueiros, arbitragem e taxas da FPF.
Ainda consta do cálculo R$ 14 mil de salários da comissão técnica e R$ 4 mil dos funcionários do setor administrativo. ''Não é mole, não'', desabafou o dirigente.
Fora isso, o clube ainda terá que contabilizar a folha de pagamentos dos jogadores. A previsão mais barata chega à casa dos R$ 40 mil, com quatro divisões de salários teto de R$ 3 mil. ''Para colocar o time em campo precisamos de pelo menos R$ 80 mil'', calculou. ''Para ter um time razoável seria R$ 100 mil e para o time ideal, R$ 150 mil, mas com R$ 80 mil dá para brigar'', completou.

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