De pequeno ele não tem nada, a não ser o apelido. O ex-zagueiro Raul Benvenutti, 71 anos, é o único jogador do elenco do Clube Atlético Monte Alegre (Cama), campeão paranaense de 1955, que ainda mora em Telêmaco Borba. Também é um dos poucos que ainda estão vivos para contar a história dos grandes anos do alvinegro.
Pequeno ganhou esse apelido por causa da sua estatura. ''Eu era muito 'grandão' e aí, para tirar um sarro, os outros jogadores começaram a me chamar de Pequeno e o apelido pegou'', revela o ex-jogador, que tem 1,84m.
O ex-zagueiro começou a jogar no Guarapuava, em 49, e dois anos depois se transferiu para o Cama. ''Cheguei bem jovem aqui no Monte Alegre. Tinha só 19 anos'', lembra.
Por cinco anos Pequeno defendeu as cores do Cama e participou das alegrias, tristezas e dificuldades do clube. ''Naquela época os times não tinham muito dinheiro. A gente viajava de carro ou de jardineira e as estradas eram ruins e de terra. Quando chovia era duro. O carro encalhava e aí a gente chegava na cidade do jogo parecendo bandido de tão sujo que a gente estava'', conta, se divertindo com as lembranças.
Para Pequeno, os grandes rivais do Cama no interior eram os times de Ponta Grossa (Operário e Guarani) e na capital a rivalidade era com o Coxa. ''Ganhar do Coritiba era uma delícia, mas era difícil'', afirma.
Em 57, com o fim do futebol profissional do Cama, Pequeno foi para o Atlético Paranaense junto com outros jogadores. Mas não ficou muito tempo no time rubro-negro. Não pela qualidade do seu futebol, mas por problemas na coluna. ''Tive muitos problemas e os tratamentos não adiantavam. De repente começou a travar a perna e aí não teve jeito, tive que parar de jogar'', lamenta Pequeno, que encerrou a carreira em 58. ''Tenho muita saudade. É uma pena que parei de jogar cedo''.
Enquanto jogou no Cama, Pequeno conciliou os treinamentos com o trabalho na indústria de papel Klabin, de propriedade do presidente do clube, Horácio Klabin. ''O salário no futebol era minguado e, por isso, tinha que complementar'', conta.
Quando se transferiu para o Atlético, Pequeno passou a ganhar mais do que o dobro do que recebia em Telêmaco Borba. E, no começo, se empolgou um pouco. ''Eu fazia a festa em Curitiba. Era churrascaria, boate e tudo mais'', revela.
Após encerrar a carreira, o ex-jogador retornou a Telêmaco Borba e voltou a trabalhar na Klabin até se aposentar. (T.M.)

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