Explorar as belezas naturais que existem em todo Brasil pode ser uma aventura divertida e relaxante, mas os riscos de acidentes sempre existem. Cachoeiras, cavernas e principalmente rios onde muitos procuram passar momentos de lazer podem se tornar áreas perigosas se não existir alguém por perto que conheça os segredos das corredeiras. Foi pensando nisso que um grupo de atletas e ex-atletas de Londrina resolveu formalizar uma equipe para atuar nesse tipo de trabalho. Além da seriedade de cada um, a paixão pela aventura e esportes radicais são atributos do grupo que hoje é certificado inclusive, para atuar fora do país.
O sócio gerente da Trilha Natural, André Renato da Silva, explica que a equipe existe há oito anos e foi fundada por atletas de canoagem de rio e caiaque pólo. Atualmente o grupo conta com 11 profissionais, mas pelo menos outros 20 atuam como colaboradores garantindo a segurança em águas brancas ou qualquer outra atividade outdoor (rapel, cachoeiras, etc).
''Temos a responsabilidade de mapear e prever possíveis áreas de risco e atuar de acordo com a sigla LAST, que significa: localizar, acessar, estabilizar e transportar. Demais responsabilidades ficam a cargo da equipe médica'', explica Silva.
Em fevereiro passado o grupo recebeu a certificação Rescue 3 Internacional que garante a participação deles em resgates em áreas fora do Brasil para agir em primeiros socorros, busca e salvamento, além de técnicas de resgate em corredeiras e enchentes. De acordo com Silva, o grupo já trabalhou na segurança dos atletas que participaram do Campeonato Brasileiro de Rafting em Foz do Iguaçu (2009); estiveram por cinco anos acompanhando o Carnaval em Brotas (SP), além do Projeto Viva o Verão do Governo do Estado (2004 a 2008) no litoral e Ribeirão Claro (PR).
A única mulher que integra a equipe, Cibele Bender Raio, 24 anos, é mestre em Biologia e, assim como os demais integrantes, tem sua rotina de trabalho mas procura reservar os fins de semana e feriados para trabalhar com o grupo. Apaixonada pela natureza e por esportes radicais, Cibele explica que o que a atraiu para a atividade foi justamente o ''viver a natureza'', além de praticar atividades que libera a endorfina e adrenalina. ''Trabalhamos com situações de risco. Nosso dever é identificar esses riscos e minimizá-los. A diferença é que nosso hobby é praticar a mesma atividade que praticamos quando estamos trabalhando'', comenta.
Chamada pelos companheiros de ''equilíbrio da equipe'', Cibele acredita que medo é algo que deve ser sentido e respeitado nesse tipo de trabalho. ''Quem não sente medo não avalia risco e é isso que torna uma atividade de aventura insegura, medo é essencial. Já existiram situações de turistas se sentirem mais seguros na atividade por ter uma mulher integrando a equipe. É gratificante'', finaliza.

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