Apaixonados pelo badminton
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sábado, 18 de junho de 2011
João Fortes <br> Reportagem Local 
Comparado a outros esportes, o badminton ainda engatinha no Brasil. Começou a ser praticado há menos de 30 anos e a cada dia ganha novos adeptos. A região Norte do Paraná é um exemplo de como o esporte tem conquistado muitos jogadores, principalmente crianças e adolescentes. Alguns já demonstram talento e sonham com grandes competições, nacionais e até internacionais.
É o caso do londrinense Alison Nogueira Moreno, de 15 anos, que pratica a modalidade desde os 11. Há 2 anos começou a levar mais a sério e treinar forte para competições regionais e estaduais. Entre as conquistas, uma medalha de prata no Campeonato Paranaense deste ano e ouro no ano passado. No final deste mês, ele participa do Campeonato Nacional, no Rio de Janeiro. ''Estou ansioso'', diz o adolescente, que pretende ser professor de educação física, mas não quer largar o badminton. ''Meu sonho é chegar nas Olimpíadas, quem sabe até a de 2016, no Rio'', declara.
O sonho de Alison é o mesmo de Raíssa Ishioka, de 17 anos. Ela mora em Ibiporã e joga badminton desde os 12 anos de idade. No ranking estadual feminino, ela é a primeira e já participou do Pan-Americano Júnior no ano passado. Também vai para o Rio de Janeiro e está otimista para a competição. ''Geralmente quando vou para uma competição trago medalha, por isso a expectativa é boa. Pretendo continuar no esporte e não quero parar de jogar badminton nunca'', afirma Raíssa.
Segundo Raíssa, conseguir patrocínio e local para treinar é difícil. Até por isso, no início do ano, ela chegou a pensar em deixar o esporte de lado. Mas em abril uma oportunidade surgiu para ela, Alison e outras dezenas de crianças e adolescentes.
Um centro de treinamento para badminton foi instalado no Sesi de Arapongas, com direito a quatro quadras, academia, acompanhamentos de psicólogo, nutricionista e preparador físico, além, é claro, de uma grande quantidade de raquetes e petecas.
A instalação do CT é parte do projeto ''Atleta do Futuro'', que também fomenta a prática de outros esportes. Segundo o gerente de Esporte e Lazer do Sesi de Arapongas, Ricardo Gonçalves, o projeto recebe recursos do Sesi Nacional e no caso do badminton, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e o patrocínio da Indústria Caemmun. ''Somos a primeira unidade do Sesi no Paraná a ter o 'Atleta do Futuro' e a primeira cidade do Brasil a ter o badminton incluído no projeto'', afirma Gonçalves.
O projeto de badminton do Sesi Arapongas já conta com 140 jogadores, a maioria com idades entre 9 e 17 anos. O espaço é aberto para qualquer um que quiser conhecer e praticar o esporte. Ninguém precisa pagar nada, o que revela o cunho social do projeto. ''A única coisa que é exigida, no caso das crianças e adolescentes, é estar em dia com as notas da escola. Todo mês eles precisam apresentar o boletim'', explica Gonçalves.
Quem aprende o esporte na unidade do Sesi, em pouco tempo já tem a oportunidade de participar de competições pelo estado. Com exceção dos atletas que têm mais experiência, o critério para a seleção é o mesmo para treinar: as notas do boletim.
Uma exigência que parece ter dado certo. No último Campeonado Paranaense, realizado em Londrina no mês de maio, participaram 10 atletas que começaram a praticar o esporte em abril. O resultado: nove medalhas.
Bianca de Marchi tem 16 anos e nessa competição trouxe para casa uma medalha de prata. Antes do Centro de Treinamento, ela conhecia o badminton apenas pela TV, mas agora o considera como seu esporte favorito. ''Eu faço outros esportes e de vez em quando falto nos treinos, mas aqui não falto de jeito nenhum'', declara. Ela também já pensa em um futuro olímpico. ''Meu sonho é participar de uma Olimpíada''.
Willian Giacomini, de 16 anos, é outro que foi conquistado pelo badminton. Começou a jogar há duas semanas e antes disso nem conhecia o esporte, mas já o considera cheio de qualidades. ''É um esporte legal, desenvolve a mente, exige disciplina e como sou alto tenho facilidade. Também quero virar um atleta'', declara o adolescente.
A prática do badminton também contribui no desenvolvimento educacional dos jogadores. ''Tem um exemplo bem interessante de uma menina que não ia muito bem na escola e depois que ela começou a treinar, a mãe veio nos agradecer, pois a filha melhorou muito as notas e até recebeu elogios de professores e da própria diretora do colégio'', declara Carlos Eduardo da Silva, coordenador do projeto.
Com treinamento e apoio à educação, os organizadores do projeto têm metas ousadas. ''A gente quer ter um atleta nos representando no Pan-Americano, em Guadalajara no México. Para isso, a gente deve trazer um atleta de outro estado para treinar. Já para o pessoal que já treina aqui queremos levá-los para as Olimpíadas de 2016'', conclui Gonçalves.


