Apaixonada, torcida faz a festa
Paixão não tem razão. E paixão por um time de futebol, então, é ainda mais avassaladora. O torcedor sofre, xinga, sua, vibra, grita, se desespera, diz que nunca mais, mas no próximo jogo lá vai ele. Camisa do time sobre a pele, coração acelerado e, de novo, tudo recomeça. Em Arapongas tem sido assim para milhares de fanáticos pela equipe da cidade que disputa o Campeonato Paranaense. Ontem foi mais um domingo para estes apaixonados, que foram para casa festejando a vitória sobre o Paraná.
O Arapongas é até agora um dos times que mais arrasta público para o estádio quando joga em casa entre todos os 12 participantes da competição. No jogo contra o Paraná, foram exatos 3.218 torcedores. Com bandeiras gigantes, batucada, chapeuzinho e até peruca eles tomaram conta de grande parte das arquibancadas para, simplesmente, extravasar o amor pelo time do coração. E dá-lhe gritos de guerra para o ''Arapongão'' e ''elogios'' para juiz e adversários.
Durante a semana, dona Sueli Naggi, 47, é uma competente merendeira de uma escola municipal. Mas em dia de jogo ela abandona o fogão, coloca um ''chapéu sombrinha'' alviverde na cabeça e se manda para o estádio. De quebra, ainda apoveita para faturar uns trocados com o comércio de amendoim, o quitute oficial em dia de futebol. ''Venho vender e torcer, porque como araponguense não tinha como ser diferente''.
Sem medo de ser feliz, o caminhoneiro Airton Vechiatto, 45 anos, compareceu ao jogo com uma peruquinha rosa shock que era uma graça só. ''Sempre tem que ter uns doidos na torcida. Isso também faz parte do futebol'', defendeu-se sabiamente. E não é que o acessório deu sorte? ''Agora vou ter que usar em todos os jogos'', riu o caminhoneiro feliz da vida com o ''Arapongão''.
Já o funcionário público Sérgio Rogério, 28, usava um megafone para anunciar o quanto ama o Arapongas. ''Aqui, fora... estou em todos os jogos. Este ano já fui para Paranavaí, Curitiba, Ponta Grossa. Sou sócio do clube'', destacou o torcedor animado com a campanha do time. ''Campeão eu não sei se dá, mas a gente fica entre quarto e quinto, com certeza'', previu.
E tem gente que acha que tem jogador do time tão bom, mas tão bom que já estaria merecendo até vaga no escrete canarinho. Com um cartaz nas mãos, o motorista José Clemente, 32, pedia uma chance na seleção brasileira para o goleiro Danilo, o jogador mais querido pela torcida. ''Quando era mais jovem, fiz teste para goleiro mas o Danilo é muito melhor. Hoje, para mim não dá mais''. (Luciano Augusto/Reportagem Local)





