Aos 78 anos, Luciano Borghesi esbanja vitalidade
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domingo, 21 de dezembro de 2014
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Luciano Borghesi tem um jeito diferente de encarar os desafios. "Eu gosto muito de guiar. Vi isso numa revista uma vez: um pode ser 30 anos mais velho ou 30 anos mais novo, mas tudo depende da forma como encara a vida, da sua cabeça. E é verdade. Sou diferente, nunca faço projeções longas, é dia a dia". Esse talvez seja o segredo dele para seguir na ativa aos 78 anos, como o piloto mais velho em atividade no Brasil.
E se engana quem pensa que Borghesi é daqueles pilotos que apenas completam grid. Pelo contrário. Mesmo não sendo um profissional das pistas, ele leva a rotina muito a sério. Cuida do preparo físico, da alimentação e está sempre por dentro de tudo o que acontece com as máquinas que pilota. Não à toa, acaba de comemorar mais um título em sua categoria na tradicional 500 Milhas de Londrina.
Mas este é apenas um dos capítulos marcantes de uma longa trajetória no automobilismo que começou em 1962, ano que o italiano nascido em Piazza Aschio, na província de Toscana, fez sua primeira prova oficial, válida pelo Campeonato Brasileiro de Alfa Romeo, em Petrópolis (RJ). Era a realização de um sonho para quem se apaixonou por carros ainda menino e aos 19 anos já havia estudado mecânica e era sócio de uma revenda, em Presidente Prudente (SP), cidade onde morou antes de Londrina. "É uma paixão que sempre tive. Sempre gostei de ficar mexendo em automóvel desde criança", relembra.
Por dar preferência aos negócios, Borghesi, que é empresário, não chegou a se tornar profissional das pistas, mas coleciona algumas conquistas importantes. A lista de troféus é extensa e inclui duas vitórias na categoria principal das 500 Milhas de Londrina alguns na categoria , um das 1000 Milhas do Brasil, quatro Paranaenses e um Brasileiro de Endurance, este último conquistado em 2006, ao lado do sobrinho Beto.
GRANDES NOMES
Mas nem só de títulos é marcada a trajetória do piloto. Alguns momentos estão eternizados na memória dele, como os encontros com grandes nomes da história do automobilismo internacional, como o austríaco Niki Lauda e o americano Mario Andretti, duas lendas da Fórmula 1. "Como eu corria em São Paulo, o acesso era mais fácil nas corridas de Fórmula 1", conta. "São grandes feras e momentos inesquecíveis", ressalta o piloto, que dividiu a pista com os brasileiros José Carlos Pace e Émerson Fittipaldi, também ex-pilotos da maior categoria do automobilismo mundial.
Borghesi também estava no Kartódromo de Rolândia em 1975, quando um menino chamado Ayrton Senna, em início de carreira, disputou uma etapa do Campeonato Brasileiro de Kart. "Andamos com o Senna por um ano. Conheci ele e o pai dele", lembra Borghesi, que na época acompanhava o filho Tazio, que era um dos concorrentes do futuro tricampeão da F-1.
Atualmente, o empresário compete na categoria Spyder. São quatro temporadas na categoria de protótipos, sendo dois brasileiros e dois paranaenses. Segundo suas próprias contas, em 2014, ele foi ao pódio cinco vezes. E só não teve desempenho ainda melhor por conta de uma viagem ao exterior que lhe fez perder duas etapas.
Para o ano que vem, a vaga já está garantida. Graças à ajuda de patrocinadores. E também por um fôlego insaciável, alimentado por um segredinho simples que Borghesi nem faz questão de guardar. "É paixão. Aquela coisa de você não poder escutar nem o barulho. E é possível. Eu procurei continuar fazendo o que gosto. O que acontece é que a pessoa, às vezes, se entrega. Para mim, é a cabeça que manda. Você tem que se sentir bem guiando e, enquanto me sentir bem vou continuar", garante, para desespero de alguns familiares, que já pediram inúmeras vezes para ele parar de correr.
Graduado na categoria A, a última escala de pilotos de competição no Brasil, Borghesi conta com a admiração de quem o acompanha de perto. Para o bicampeão brasileiro de Fórmula Truck, Leandro Totti, o corredor de 78 anos é um exemplo. "Ele é sempre o primeiro a chegar, tem um preparo físico muito bom e uma resistência incrível para a idade dele. Se deixar, ele fica na pista o dia todo, é um apaixonado mesmo. Quero poder chegar à idade dele como esse mesmo ânimo", elogia.


