Aos 62, LEC vira o jogo contra as dívidas
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quinta-feira, 05 de abril de 2018
Vitor Struck<br>Reportagem local 

O ano era 1956 e o clima era de festa. Após uma vitória por 3 a 2 do Nacional de Rolândia sobre o Vasco da Gama, o fundador do time norte paranaense, José Luciano de Andrade, ao lado do médico Walid Kauss, questionou: "se Rolândia tem um time capaz de enfrentar o Vasco em condições de igualdade, por que não poderia acontecer o mesmo com Londrina?"
A conversa, considerada o pontapé inicial para o surgimento do Tubarão, foi parar em uma das mesas do restaurante do italiano, fanático por futebol, Pietro Calloni. Além dele, juntou-se à dupla o gerente da Agência do Banco do Brasil Paulo Schmidt, que sugeriu o nome. Foi no antigo Monções Hotel que nascia o Londrina Esporte Clube "aos cinco dias do mês de abril de mil novecentos e cinquenta e seis, às vinte horas", como não deixa mentir a Ata de Fundação, redigida por Paulo Carvalho Braga.
62 anos depois o atual presidente do clube, Claudio Canuto, confessa que não imaginava o quanto o Tubarão ainda iria crescer e se recuperar financeiramente. Um balanço foi apresentado na sessão ordinária desta quinta-feira (5) na Câmara Municipal de Londrina a convite do vereador Felipe Prochet (PSD) em função do aniversário do clube. Dirigentes e diretores também participaram da comemoração.
O início da guinada só foi possível graças à parceria com a SM Sports, do empresário Sérgio Maluceli, em 2011. Na época, as dívidas trabalhistas somavam cerca de R$ 7 milhões. "Nós não tínhamos ideia do que iríamos fazer com tantas dívidas", confessa Canuto.
Com a venda da sede do Londrina foi possível arrecadar R$ 1,7 milhão e um acordo foi feito. Hoje, segundo Canuto, restaram quatro ações trabalhistas. "Se nós não tivéssemos essa ousadia, do Ministério Público do Trabalho, do juiz da 6ª Vara do Trabalho, Reginaldo Melhado, juntamente com o procurador do Trabalho Heiler Natálio, não haveria esta recuperação, sorte que escolhemos um parceiro do futebol, um cara sério que veio pra fazer um trabalho alinhado com o que queríamos", diz Cláudio Canuto. Melhado foi o juiz que em 2009 determinou a destituição da então diretoria do Londrina e a intervenção trabalhista no clube.
Mas restam, ainda, dívidas com a União. Segundo o presidente, a situação financeira do clube está "saudável" e vai melhorar ainda mais a partir de agosto deste ano, quando um parcelamento terá fim e o valor arrecadado com a Caixa Econômica Federal, por meio da Timemania, em média de R$ 75 mil por mês, vai ficar livre para o caixa do clube.
"Com cerca de R$ 4 milhões nós conseguimos resolver todo o passivo do Londrina, até porque nós impetramos na Justiça um processo do FGTS que nós sabemos que o Londrina tem algo a recuperar, em torno de R$ 2,5 milhões, então isso vai nos ajudar a diminuir um pouco dessa dívida. Mas eu diria que o Londrina respira mais aliviado, tem condições de fazer um caixa e ter vida normal, acontecer normalmente como qualquer outra empresa", lembra.


