Aos 45 anos, Levir curte a melhor fase da carreira
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de dezembro de 1998
Ed Carlos Rocha 
O técnico do Cruzeiro, o curitibano Levir Culpi, 45 anos, diz chegar à final do Campeonato Brasileiro vivendo a sua melhor fase desde que iniciou a carreira de treinador, no Juventude (RS), em 84. E não é para menos. Além de disputar o título do Brasileiro, o treinador comanda o Cruzeiro também na final da Copa Mercosul, contra o Palmeiras. É o melhor momento, porque são duas competições de muita projeção, que evidenciam quem está fazendo parte delas e abrem ainda muitas outras portas, disse Levir na quinta-feira, em entrevista exclusiva à Folha.
Mas a preocupação com novas portas de trabalho parece estar ficando cada vez menos constante na vida de Levir. Se antes já vinha sendo um dos técnicos de destaque no Brasil, com a atual campanha do Cruzeiro passou a entrar definitivamente na lista dos tops do futebol brasileiro.
Tanto, que antes mesmo de terminar as duas competições nas quais o time mineiro participa, Levir já recebeu proposta da diretoria do Cruzeiro para continuar. Já estamos negociando e é bem provável que permaneça para 99, afirma.
Para chegar à atual condição de destaque entre os técnicos do Brasil, Levir ralou bastante. O começo como jogador de futebol se deu no infantil do Coritiba, em 1967. Depois disso, como atleta passou pela Seleção Brasileira Juvenil, se profissionalizou no próprio Coritiba, foi para o Botafogo (RJ), depois Santa Cruz (PE), Colorado (PR), Atlanta (México), voltou para o Colorado, foi para o Figueirense (SC) e depois para o Juventude (RS), onde parou de jogar e iniciou a carreira como treinador.
Daí para frente, na nova função, passou pelo Atlético Paranaense, Inter (Limeira), Criciúma, Inter (RS), Guarani, Atlético Mineiro, Portuguesa, Paraná, Cruzeiro, Cerezo Osaka (Japão) e novamente Cruzeiro. Ao todo ganhou sete títulos: campeão da Série B pela Inter (Limeira), em 88; Catarinense pelo Criciúma, em 89; Paranaense pelo Paraná, em 93; Mineiro pelo Atlético, em 95 e pelo Cruzeiro em 96 e 98 e campeão da Copa do Brasil em 96, pelo Cruzeiro.
O título de campeão Brasileiro ainda é inédito para o técnico Levir Culpi e para muitos dos jogadores do Cruzeiro. Por causa disso, apesar da conversa formal ser de que tanto o Brasileiro como a Copa Mercosul são importantes, Levir afirma que se tiver que optar por um dos dois como prioridade será o Brasileiro. De acordo com ele, mesmo sabendo que a Copa Mercosul paga R$ 3 milhões ao campeão, o prestígio do título de campeão brasileiro é bem maior. Além disso, é a porta de entrada para a disputa da Taça Libertadores, o que todo clube quer.
De acordo com ele, se sentir que os jogadores estiverem muitos cansados para a primeira partida da final da Mercosul, na quarta-feira, é possível que alguns titulares sejam poupados.
Mesmo já estando quase certo com o Cruzeiro, Levir Culpi não descarta a possibilidade de em breve trabalhar em Curitiba, onde mora a sua família, que administra seus dois restaurantes de comida mineira. Sei que em breve isto estará acontecendo, porque gosto da cidade. Segundo Levir, não é só o amor pela capital do Paraná que o motiva a mudar de clube. Na avaliação dele, o futebol paranaense evoluiu muito nos últimos anos e se estruturou de forma até melhor que muitos clubes do Brasil. O Paraná transformou-se numa ótima oportunidade de trabalho em função do acréscimo da qualidade dos clubes.
Futebol e amor à cidade à parte, quem torce pela volta de Levir é a sua esposa, Marília. Não vejo a hora de ele voltar a trabalhar num clube de Curitiba para ficar mais próximo da gente.


