O meia Édson Vieira, do Londrina, só espera o encerramento da Série B do Campeonato Brasileiro deste ano para abandonar a carreira. O jogador, que completará 33 anos em outubro, admitiu, recentemente, a possibilidade de atuar como empresário, mas mudou de idéia e definiu a opção do futuro. ‘‘Farei um estágio como treinador. É uma profissão difícil, mas que me agrada. Gosto de desafios.’’
Édson Vieira - que não viajou ontem para Limeira, onde a delegação do Londrina se prepara para a partida de amanhã, em Araras, contra o União São João - iniciou a carreira no infantil do Londrina, no começo da década de 80. Em seguida, defendeu o Matsubara na Taça São Paulo de Juniores. Em 83, na França, disputou o Campeonato Mundial Sub-16 pela Seleção Brasileira. O Brasil terminou em terceiro lugar, mas invicto.
Na volta, foi contratado pelo Botafogo do Rio. Durante três anos, esteve no México (Universidad Guadalajara e Atlas) e mais dois na Colômbia (Millionarios e Onze Caldas). Retornou ao futebol brasileiro. Em São Paulo, defendeu Ponte Preta de Campinas, Botafogo e Comercial de Ribeirão Preto (este último, por três vezes) e Noroeste de Bauru. Jogou ainda na Grécia e no Ceará.
O jogador afirma que, em quase 20 anos de carreira, conheceu bons técnicos. ‘‘Todos me ensinaram muito’’, afirma. Cita Varlei de Carvalho, Zagallo, Jorge Vieira, Orlando Fantoni, Carlos Alberto Torres, Jairzinho, Jair Pereira (que o levou para três seleções de juniores), além de quatro estrangeiros: o iugoslavo Vladimir Popovic, o mexicano Ignacio Trellos, o uruguaio Luis Garisto e o colombiano Piccis Restrepo. ‘‘Cada um deles me passou alguma coisa’’, diz Vieira. ‘‘Na parte tática, os conhecimentos de Restrepo, que tinha apenas 33 anos quando trabalhei com ele, me impressionaram’’, lembra o jogador. ‘‘Mas, pelo lado da psicologia, admiro Varlei. É só vendo como ele eleva o astral do grupo antes de um jogo’’, diz, acrescentando: ‘‘Não me esqueço nunca do Zequinha Pé de Galo, meu grande mestre no infantil do Londrina. Ele me mostrou os primeiros segredos’’.
Evaristo de Macedo (atualmente no Bahia) será um dos ‘professores’ na primeira fase de aprendizado. ‘‘Evaristo conhece tudo’’, diz o ainda jogador.
A propósito de um recente episódio que o magoou - o Londrina decidiu puni-lo pela expulsão diante do Remo, na estréia do time na Série B do Brasileiro - Édson Vieira disse que o problema serviu de alerta. ‘‘Na hora de colocar o pé numa dividida pra matar a jogada, vale a pena correr o risco de receber cartão vermelho? Hoje pensaria duas vezes.’’ O jogador, porém, garante que a multa de 20% no salário nada tem a ver com a decisão de abandonar a carreira. ‘‘Vou parar porque chegou a hora. A vida segue normalmente. Quero apenas aproveitar minha experiência em outra área do futebol.’’
Vieira procura evitar conflitos que possam prejudicá-lo agora, quase no final da carreira. Aliás, diz o jogador, uma das coisas que o tempo o ensinou foi o exercício da paciência. ‘‘Leio a Bíblia e uso um dos versículos como filosofia pessoal: de que adianta ao homem ganhar os tesouros da terra e perder a sua alma? Não prejudico ninguém. Seria incapaz disso. Só a humildade te fortalece na vida.’’
Édson Vieira conta que, como treinador, assumirá um perfil liberal e democrático, que não dispense um tipo de liderança espontânea. ‘‘Serei amigo dos meus jogadores. Manteremos um relacionamento leal. Se você conhece o profissional que tem nas mãos, não precisa duvidar dele. Sempre procurei crescer como homem. A dignidade é fundamental em uma pessoa. Um dos meus princípios é o respeito pelo ser humano. Passarei tudo isso aos meus comandados. Direi a eles: se vocês plantam coisas boas, sempre vão colher coisas boas.’’Marcos BorgesDo campo para o bancoÉdson Vieira no treino de Londrina: ‘Treinador é uma profissão difícil, mas que me agrada; gosto de desafios’Nelson Cilo

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