Aos 27 anos, Rocha comemora estabilidade
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quinta-feira, 03 de julho de 2003
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Correr em busca de um presente para si mesmo. É tudo o que um aniversariante não quer. Entretanto, Rocha, o meia-defensivo do Londrina, não vai se incomodar com esta constragedora tarefa.
A ''lembrancinha'' pelos seus 27 anos completados ontem não estará garantida nem com todo o suor do mundo. Ele dependerá de um dia profissionalmente bom de seus colegas para conquistar o presente, que nem precisa ser embalado: a vitória sobre o União São João e os consequentes três pontos na tabela da Série B do Campeonato Brasileiro.
Querido pelo grupo de jogadores, o ''caçador'' do meio-campo recebeu as homenagens tão a gosto dos boleiros sem reclamar. ''Estou muito feliz no Londrina e posso dizer que vivo o melhor momento da minha carreira''.
Aos 10 anos, Marcelo José da Rocha não imaginaria que 17 anos depois estaria tão distante das suas raízes. Na época, ele morava em Cotia, município da Grande São Paulo que concentra chácaras e condomínios horizontais de luxo.
O garoto acordava às 3 horas. Ajudava o pai, o feirante Antônio José, a armar a barraca que sustentava a família. Depois, se aprontava rapidamente, pegava um ônibus e ia treinar no Pequeninos do Jóquei, uma das escolinhas mais famosas da capital.
Aos 13 anos, deixou de morar com os pais e começou a perigrinar pelo interior paulista. Morou em Espírito Santo do Pinhal, onde se profissionalizou aos 17, em Rio Claro, Taquaritinga (onde o então zagueiro foi 'inventado' como volante pelo técnico Válter Zaparolli) e Presidente Prudente. ''Não confiava em ninguém. Os clubes não pagavam em dia e continuava dependendo do pai. Pensei em parar muitas vezes''.
A tranquilidade ele só conquistou a partir de 1999, quando desembarcou em Maringá, a cidade que já escolheu para viver depois de encerrar a carreira (''Já comprei um terreno lá''). ''Aqui no Paraná, consegui ter um respaldo financeiro e qualidade de vida'', explica. Foram três anos que o tornaram ídolo. ''Até hoje me perguntam porque não volto para lá'', diverte-se. ''Comecei a pensar em crescer na carreira''.
Enquanto no Maringá, viveu o momento mais feliz (''Fiz um gol no Willie Davids em um jogo contra o Iraty com 15 mil pessoas''), em Londrina, ele viveu o mais triste a derrota para o Coritiba, nas semifinais do Estadual deste ano. ''Mas sou ainda mais feliz aqui do que fui em Maringá'', comemora.


