Ao contrário do 'professor', Gerardo não é metódico
São paulo - Há, no entanto, uma coisa que difere Gerardo Martino de Marcelo Bielsa. Ao contrário do "professor", ele não é metódico, cheio de manias, nem fissurado em jogar bonito. Bielsa jamais abre mão dos seus ideais e, às vezes, paga caro por isso. Já Martino é mais aberto ao diálogo e às mudanças. Se as circunstâncias não lhe são favoráveis, ele não vê problemas em montar uma equipe com características mais conservadoras e defensivas.
Foi assim, por exemplo, na seleção do Paraguai. Martino conseguiu transformar uma geração de jogadores não muito talentosos em um time competitivo. E os resultados obtidos foram expressivos, dentro da realidade paraguaia. Nas Eliminatórias para a Copa de 2010, terminou na terceira colocação, à frente de Argentina e Uruguai, depois de ter liderado a disputa por um longo tempo. E naquele Mundial na África do Sul, classificou-se em primeiro lugar em um grupo que tinha a Itália. Mais do que isso, pela primeira vez na história o Paraguai foi às quartas de final. Na Copa América de 2011, jogou na retranca e chegou à decisão, deixando o favorito Brasil pelo caminho.
No Barcelona, Martino não terá essa preocupação. Seu desafio será romper - com sucesso - as barreiras da América do Sul no seu primeiro trabalho como treinador na Europa e dirigir um elenco que é uma verdadeira constelação, na qual a estrela mais reluzente é o conterrâneo Lionel Messi, cria do Newell's Old Boys como ele. Mas, se depender da experiência que teve no seu último emprego, ele não deverá enfrentar problemas de relacionamento.
"Sua ideia é sempre formar um bom grupo antes de uma boa equipe", conta o meia-atacante Maxi Rodríguez, um dos pilares do Newells Old Boys. E, para isso, nem é preciso falar muito. "Ele diz somente o que é necessário e encontra as palavras certas para mexer com os jogadores." (R.R./A.E.)





