Em seu discurso de apresentação como treinador da Seleção Brasileira, Émerson Leão deixou escapar uma pequena falta de sintonia com o coordenador-técnico Antônio Lopes a respeito do aproveitamento de Romário na equipe. Lopes havia garantido com antecedência a presença do atacante até a Copa do Mundo de 2002. Leão, porém, foi mais cauteloso e não compartilhou da opinião de Lopes. ‘‘Se Romário estiver bem, será imprescindível; se estiver mal, deixa de ser’’, declarou.
Pouco depois, ao responder a pergunta sobre os poderes de Romário na seleção, Leão demonstrou mais uma vez que pretende manter uma certa independência com relação a Lopes. ‘‘Primeiro, o Romário ainda não está escalado.’’ Ao elogiar o momento do artilheiro do Vasco, Leão afirmou que não levará em conta a idade dos atletas nas listas de convocados. ‘‘O que importa é a condição técnica.’’
Leão deu outra dica, no entanto, de que Romário é nome certo para enfrentar a Colômbia, dia 15, em São Paulo. ‘‘Pela passagem dele nas duas últimas partidas e os gols marcados (7) nesses jogos, ele se credencia.’’
Leão descontraiu-se ao lembrar de uma declaração recente de Romário, que reclamou de ter trabalhado com muitas ‘‘malas’’ (pessoas inconvenientes) na seleção. ‘‘Espero não ser seu container’’, brincou.
Enquanto o treinador falava sobre Romário, Antônio Lopes o observava com atenção, sem se manifestar. Ainda durante a entrevista na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o coordenador-técnico balançou a cabeça por várias vezes em sinal de aprovação aos comentários de Leão, referentes a outros assuntos.
No primeiro encontro do dia com a imprensa, Lopes e o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, explicaram os motivos pelos quais Leão foi contratado. O técnico ainda não havia chegado ao prédio da entidade, no centro do Rio, e só depois submeteu-se à primeira sabatina com os repórteres.
Muito atento às respostas do novo treinador, Antônio Lopes não quis relatar os convites recusados por outros treinadores, assegurou sua preferência por Leão e reiterou que participará das próximas convocações. Isso, porém, não pareceu muito claro nas declarações de Leão, que entende que quem se convoca é o próprio jogador. ‘‘Foi me dada a liberdade de convocar quem eu quiser’’, contou o técnico do Sport.
Sobre eventuais divergências com Lopes, o técnico pareceu bastante seguro e disse não acreditar nessa hipótese por considerar que cada um vai lidar com uma área específica. De acordo com Lopes, o bom currículo credenciou Leão a ser o escolhido para dirigir a seleção. ‘‘Ele venceu competições estaduais, nacionais e sul-americanas (a Conmebol de 1997, pelo Atlético-MG, e a de 1998, pelo Santos)’’, disse o coordenador-técnico, atribuindo aos dois uma velha amizade, desde que trabalharam juntos no Vasco, em 1978 e 1979, época em que Leão era goleiro.