Antônio Carlos estreia com pé direito
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domingo, 21 de fevereiro de 2010
Giuliander Carpes<br> Agência Estado 
São Paulo - Nada melhor que uma vitória num clássico para dar tranquilidade a uma equipe em crise. Na estreia do técnico Antônio Carlos no Palmeiras, a equipe alviverde ainda não mostrou um futebol vistoso, mas soube aproveitar a oportunidade para melhorar o clima nos lados do Palestra Itália. Com dois gols do renegado Robert, venceu o São Paulo por 2 a 0 e marca o início de uma recuperação.
''Não conseguimos corresponder com o Muricy (Ramalho, ex-treinador), ficamos tristes com a decisão de sua saída, mas a vida segue'', disse o palmeirense Pierre. ''Chegou o Antônio Carlos, que elevou nossa moral e nada melhor do que uma boa vitória para coroar a chegada dele.''
O clássico estava esvaziado. Inúmeros motivos: forte calor - algumas pessoas precisaram recorrer ao ambulatório médico do Parque Antártica -, medo da violência das torcidas organizadas, a pouca importância dada ao Campeonato Paulista e a crise palmeirense, que culminou com a demissão de Muricy na quinta-feira. Pouco mais de 13 mil pessoas foram ao estádio.
Os são-paulinos, claro, eram minoria. Pouco mais de 2 mil. Mas protagonizaram a chamada ''procissão do terror'' do Largo da Batata até o Estádio Palestra Itália, gritando impropérios aos adversários, ameaçando os policiais que faziam a escolta, atrapalhando o trânsito e atemorizando os pedestres.
Já os palmeirenses não se esqueceram das faixas. Já estavam estendidas desde o dia anterior em frente ao estádio. Ontem repetiam reivindicações. ''Cadê os reforços?'', ''Belluzzo incompetente'', ''Técnico racista não'', entre outros recados. Clima pesado.
Em campo, no primeiro tempo, as piores expectativas foram atendidas: pouco futebol, muita luta. Os zagueiros mostraram competência, os atacantes, ineficiência. ''A bola estava correndo muito rápida e, por incrível que pareça, o ritmo dos dois times estava devagar. Piorar seria impossível'', definiu, realista, o goleiro são-paulino Rogério Ceni.
Mas o jogo mudou para melhor na segundo tempo. E piorou sim para o São Paulo. Muito por causa do árbitro Rodrigo Martins Cintra. Ele deu o segundo cartão amarelo para Xandão depois de uma falta normal. Deixou o São Paulo com 10 jogadores em campo aos seis minutos. Já aos oito, Robert marcou um gol de cabeça - os são-paulinos reclamaram, sem razão, de que o atacante palmeirense teria usado a mão.
Os torcedores palmeirenses que foram a campo fizeram o Palestra Itália parecer lotado. Ainda mais quando Antônio Carlos resolveu colocar Marquinhos, que sequer era relacionado para as partidas por Muricy, em campo. A torcida, sempre irritada com o jogador, deu força. E na segunda vez que ele tocou na bola, levantou na cabeça de Robert, que marcou o segundo gol.
EM SÃO PAULO
Palmeiras 2
Marcos; Wendel, Léo, Danilo e Eduardo; Pierre, Márcio Araújo, Cleiton Xavier (Edinho) e Diego Souza; Lenny (Marquinhos) e Robert (Deyvid Sacconi). Técnico: Antônio Carlos Zago
São Paulo 0
Rogério Ceni; Renato Silva (Andre Luis), Xandão, Miranda e Jorge Wagner; Jean, Hernanes, Cicinho e Cléber Santana (Léo Lima); Marcelinho Paraíba e Washington (Henrique). Técnico: Ricardo Gomes
Árbitro: Rodrigo Martins Cintra
Estádio: Palestra Itália
Gols: Robert, aos 9 e aos 25 minutos do 2º tempo
Expulsão: Xandão
Renda: R$ 390.270,00
Público: 13.590 torcedores


