Antes exportadora, Londrina vira oásis para estrangeiros
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domingo, 20 de novembro de 2011
Thiago Mossini <br> Reportagem Local 
Londrina sempre foi uma cidade conhecida por exportar jogadores. Exemplos não faltam. O zagueiro Naldo, o lateral Rafinha, o ex-atacante Élber, os meias Jadson e Fernandinho e muitos outros. Porém, a cidade vem se tornando uma importadora de jovens atletas, que pensam em usar os clubes da cidade como trampolim.
São dois bolivianos e um camaronês vestindo a camisa do Cincão Esporte Clube. Já o Londrina, conta em seu elenco com um camaronês e um senegalês e ainda aloja o volante uruguaio Matías Cardaccio, que deve ser reforço do São Paulo a partir de janeiro.
Já habituado ao idioma, clima e comida brasileira, o atacante Joel, do Tubarão, é quem está há mais tempo no Brasil. Ele desembarcou em Irati há dois anos e oito meses atrás chegou ao Londrina. Atleta com passagem pela seleção sub-18 de Camarões, ele terá sua grande chance no Campeonato Paranaense, quando poderá ser titular do Tubarão. ''Vai ser o artilheiro do Paranaense'', apostou o gestor do Londirna, Sérgio Malucelli, na apresentação do jogador.
Joel conta que apesar de não estar em um grande centro ou grande time, as condições de trabalho ainda são melhores do que as encontradas na terra natal. ''Aqui é bem melhor e aparecemos muito mais. Estamos trabalhando para que apareça uma oportunidade ainda melhor'', afirmou o garoto, em bom português. Ele vem sendo o anfitrião do senegalês Lucho, que ainda patina no idioma. O meia também é jogador da seleção sub-18 de seu país.
Nestes dois anos no Paraná, Joel foi para Douala, onde mora sua família, apenas uma vez, durante a disputa da Copa Africana de Nações, quando defendeu a seleção camaronesa Sub-20. Foi recebido como ''pop star''. ''Todo mundo sabe que o Brasil é o país do futebol. Todo mundo ficou animado quando vim jogar aqui. O meu bairro todo foi me esperar na entrada da cidade quando voltei para lá'', revelou o atacante, que se destacou em um torneio em Camarões e foi indicado ao empresário Juan Figger, sócio de Malucelli.
Joel confessa que a distância de casa é um dos seus principais adversários. Mas, para matar um pouco da saudade de casa, ele conta com a ajuda do conterrâneo Koffi, volante do Cincão. ''A gente conversa sempre e isso me ajuda muito'', disse Joel.
Koffi também cruzou o Atlântico para tentar a sorte no Brasil com o objetivo de vencer no futebol e ajudar a família. Desembarcou em Imperatriz, no Maranhão, há pouco mais de um ano, para defender o Marília-MA, onde o técnico era Evandro Guimarães, atual treinador do Cincão e que comandará o Barueri na próxima temporada.
Vindo de um país católico, Koffi passou a frequentar também os templos evangélicos em Londrina e foi assim que conseguiu manter o foco e amenizar a distância.
Ele ainda não sabe se fica para 2012, mas quer continuar no País. ''No Brasil é melhor do que em Camarões, mas o Cincão é um time novo, que está começando também, não tem tanta estrutura, mas vale a pena também'', disse.
Companheiros de clube de Koffi, os bolivianos Yhair Rodriguez, de 16 anos, e Minorh Schwarz, 24 anos, usaram o Cincão como ponte para outros destinos. A dupla desembarcou no clube vindos do parceiro da equipe na Bolívia, o Destryers, da Segunda Divisão local.
Ambos são de Santa Cruz de La Sierra e estão há três meses no alvirrubro. O meia-atacante Yhair disputou um torneio sub-17 pelo clube londrinense e chamou a atenção do Ceará, clube que defenderá a partir da semana que vem. ''Aqui temos uma preparação melhor, alimentação melhor, coisas que na Bolívia não temos'', elencou o garoto, fã de Ronaldinho Gaúcho e Marcelo Moreno, atacante brasileiro naturalizado boliviano.
Já o lateral-esquerdo Minorh está mais acostumado ao Brasil. Antes de defender o Cincão, ele atuou no Vitória-BA. ''O Brasil é diferente da Bolívia para melhor, por isso, todos querem jogar aqui'', finalizou.


