Ansiedade atormenta jogadores brasileiros
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sexta-feira, 09 de junho de 2006
André Coutinho<br> Folhapress 
Konigstein - Mais uma vez, o tema ansiedade foi tratado pelos jogadores da seleção brasileira. Está mais do que claro que, além das jogadas aéreas, esse é o maior adversário para a estréia da equipe na Copa do Mundo da Alemanha, na próxima terça-feira, contra a Croácia.
Experiente, o lateral-esquerdo Roberto Carlos afirma que não existe uma receita especial. ''Quem não sente isso (frio na barriga), está mentindo'', afirmou o lateral-esquerdo, um dos jogadores mais antigos da atual delegação brasileira.
Para ele, o fato de estar acostumado a estrear por inúmeros torneios diferentes e importantes não conta nesse momento. ''Pode ter 50 anos de seleção que, na hora do vamos ver, vai sentir. Mas não existe receita para conter a ansiedade'', afirmou.
Segundo Roberto Carlos, é preciso apenas sentir o peso da camisa e pensar em todos os torcedores para que o nervosismo não prejudique. ''Basta ter orgulho e responsabilidade para representar o nosso país'', disse. ''Quando entra no jogo, esquecemos. No momento do hino, passa muitas coisas na nossa cabeça. É o orgulho de vestir a camisa da seleção brasileira'', completa o volante Emerson.
''Secando'' a Argentina Com o início da Copa, os treinamentos da seleção brasileira deverão sofrer pequenos ajustes para que os jogadores assistam a todos os duelos. Ontem, o Brasil antecipou os trabalhos em 30 minutos para ver a vitória da Alemanha diante da Costa Rica. ''Todos queremos ver. Eu quero ver todos os jogos'', disse Juninho Pernambucano, que promete ''secar'' a Argentina, grande rival do Brasil. ''Claro! A Argentina é o único time que quando entra em campo sempre torcemos contra.'' Os argentinos vão estrear hoje, contra Costa do Marfim, em Hamburgo.
O meia, considerado o 12º titular da equipe de Parreira, acredita ser mais difícil de atuar na Copa por causa da cultura do futebol brasileiro. ''No Brasil, existe esse negócio de time base. Na Europa, bem como em suas seleções, não há isso. Se o jogador não está bem, sai do time.''
O meio-campista afirma estar preparado para assumir a condição de titular. ''Tem de estar todo mundo pronto para isso'', resume Juninho, que é uma das principais opções para melhorar o toque de bola e mudar o estilo de jogo. Nos últimos dias, Parreira testou várias vezes a entrada do Pernambucano no lugar de Zé Roberto. Foi assim também no amistoso contra a seleção da Nova Zelândia.
Ronaldinho Depois de um dia sem treinar por ter contraído uma infecção, o atacante Ronaldo teve uma atuação discreta no coletivo realizado na Arena Zagallo, em Königstein. Já Ronaldinho foi o destaque do treino. O jogador do Real Madrid fez poucas jogadas e não marcou nenhum gol na vitória dos titulares por 3 a 0. Adriano, Kaká e Cafu fizeram os gols.
Cerca de três horas antes, Ronaldo havia alegado que estava com dor de cabeça e não sabia se treinaria. Após o coletivo, nenhum atleta falou. De acordo com o médico José Luiz Runco, Ronaldo teve uma infecção nas vias aéreas superiores. Na noite de quarta, ele teve os primeiros sintomas da gripe: febre e dores no corpo.
Ronaldinho, por sua vez, empolgou o técnico Carlos Alberto Parreira. Embora também tenha se poupado evitou dar piques , o meia-atacante do Barcelona deu passes precisos e participou das jogadas dos três gols brasileiros. O técnico Carlos Alberto Parreira armou o time reserva com a mesma formação tática da Croácia 4-3-1-2. Ricardinho jogou mais próximo dos atacantes.
Parreira aproveitou o treino também para ensaiar os defensores nos cruzamentos. Quando os titulares cediam um escanteio, ele pedia a Juninho que repetisse várias vezes a cobrança.


