O vermelho da bandeira e dos pés de Londrina saíram de cena ontem. Quanto mais se aproximava das 16 horas, mais verde e amarela ficava a cidade. Era Londrina vestindo a camisa canarinho para ver a estréia do Brasil na Copa do Mundo da Alemanha.
Nas ruas, um vai e vem de carros e ônibus enlouquecedor. Todos querendo chegar o mais rápido em casa, no bar ou em frente a alguma televisão para não perder nada da festa. As buzinas não eram motivadas pelos congestionamentos em vários pontos da cidade, mas já faziam parte do clima de comemoração que todos guardavam, esperando a vitória brasileira.
Nos bares não era diferente. Todos lotados e com um atrativo a mais para o torcedor masculino: o grande número de mulheres. Elas eram maioria em quase todos os locais. ''Nós não estamos aqui para ver os jogadores, mas sim a seleção. Senão, teríamos que assitir aos jogos da Inglaterra, da Itália...'', avisou Fernanda Queiroz, que reuniu as amigas no Bar Brasil que já foi palco de comemorações dos cinco títulos brasileiros para ver o jogo.
Já alguns empresários preferiram reunir as esposas, namoradas e alguns amigos e funcionários para torcerem juntos. Eles organizam desde a Copa de 94 uma festa no Hotel Cristal para acompanhar a seleção.
No geral, a ansiedade da estréia tomou conta da torcida. A apreensão tornou tímida a vibração durante o jogo. ''A ansiedade grande nos faz arrepiar'', revelou o coordenador comercial, Gerson Trento, 39 anos.
Aliado a isso, o fraco futebol apresentado pela seleção, bem ao estilo Carlos Alberto Parreira, também contribuiu para as modestas comemorações.
O vendedor Rômulo Ogawa, de 29 anos, levou a esposa Léia para a festa. ''Ela me acompanha às vezes pra ver futebol'', contou. Mas o clima de romance do início da partida foi deixado de lado ainda no primeiro tempo. O nervosismo não permitia que os dois permanecessem abraçados. O jeito era cada um torcer a sua maneira.
O abraço só voltou aos 44 minutos, quando Kaká fez o único gol brasileiro. O gol também fez diminuírem os arrepios de Trento. ''Estou mais tranquilo, mas ainda um pouco ansioso'', contou.
A forma física do atacante Ronaldo também não passou despercebida aos olhares atentos dos torcedores londrinenses. Tanto que quando ele foi substituído por Robinho a vibração foi igual a de um gol.
O magro 1 a 0 decepcionou a maioria da torcida da cidade, mas alegrou aqueles que se contentam com a vitória. ''Por ser estréia foi bom. Mas o time não jogou tudo que sabe'', conformou-se o administrador Ricardo Cavalcanti, de 26 anos.

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