Anônimos buscam um lugar ao sol no pódio
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quinta-feira, 30 de dezembro de 1999
Por Rafael Aguiar 
São Paulo, 30 (AE) - A partir das 15 horas de amanhã, 12.820 atletas profissionais e amadores disputarão a Corrida Internacional de São Silvestre, a mais tradicional prova do atletismo brasileiro. Do total de participantes, com exceção dos cerca de 300 profissionais que largam no pelotão de elite, o restante são anônimos de todas as partes do Brasil que vêm para São Paulo em busca da realização de sonhos e de um lugar ao sol no pódio.
O floricultor Gilberto Santana dos Santos, que vai participar da São Silvestre pela 15.ª oportunidade, explica a dificuldade de se largar na São Silvestre. "Primeiro esperamos 2 horas amontoados com todo mundo, depois da largada, frio, é preciso 15 minutos para conseguir imprimir o ritmo", diz o atleta sergipano que vai participar da corrida com a companhia de cinco amigos. "É uma sensação extraordinária participar da prova mais tradicional do país, enquanto eu estiver vivo vou disputá-la", completa.
O anônimo, acostumado a treinar no Parque da Cidade e na Praia de Atalaia, disse que, ao chegar a São Paulo e durante a corrida
sente algumas diferenças em relação ao clima. "Estranhamos a poluição quando cheguei e, no ano passado, durante a prova, teve um momento que estava muito abafado e precisei dar uma sossegada no ritmo para me recuperar", disse. O grupo de sergipanos aposta no talento do colega, Carlos Alberto Severo, que conseguiu destaque na prova do ano passado, e, em 1999, vai largar no pelotão da frente. "Vou acompanhar o queniano", afirmou Severo que tem até patrocínio.
Saindo do anônimato - O Grupo Pão de Açúcar montou um time de 200 atletas, entre os funcionários que se inscreveram em um plano de qualidade de vida financiado pela empresa, terá seis corredores com chances de vencer a São Silvestre. Entre eles, o paranaense Emerson Silva e o rondoniano Emerson Souza passaram por situações semelhantes à que vivem os mais 12 mil anônimos que disputarão a 75.ª Corrida Internacional de São Silvestre. Os dois, no entanto, têm uma aspecto em comum: os cabelos pintados. "A cor quem escollheu foi o Jô, o cabelereiro de Campos de Jordão, ande estávamos treinando para enfrentar as fortes subidas da São Silvestre", explica Silva, o corredor de cabelo amarelo. "O barbeiro tinha uma escala de cores e pintou um de cada uma", garantiu Souza, de cabelo roxo.
Emerson Silva disputou a primeira São Silvestre em 1994. "Larguei com o povão e fiquei na posição de 999, quando o Ronaldinho venceu", diz. No ano seguinte, o atleta foi selecionado pela Secretaria de Esportes e ficou em São Paulo. No ano seguinte foi estudar em um colégio Agrícola para em 96, ficar na 56.ª colocação da São Silvestre. Em 97, o atleta conquistou a 86.ª posição. "Dá para saber quando está aproximando do líder da prova."
O colega de Rondônia, Emerson Souza, até 1996 viveu na cidade de Espigão D´ Oeste vendendo peixes. "Eu e meu padrasto comprávamos o pescado em Tacoal e vendíamos em Espigão; a viagem demorava cerca de 40 minutos", lembra. "Em 96 vim para São Paulo para ver como era tudo aquilo que eu via na TV no fim de ano", diz. "Eu e mais três atletas de Rondônia demoramos 49 horas para chegar em São Paulo, quando terminei a São Silvestre na 712.ª posição", conta. No ano seguinte, o corredor tornou-se recordista estadual (RO) nos 800 e 1.500 metros, conseguiu largar a São Silvestre no segundo pelotão e chegou na 512.ª posição. "Daqui a uns dois anos, creio que vai dar para vencer", pensa.


