'Anjos da Guarda' transforma vida de jovens
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sábado, 02 de março de 2013
Rafael Souza<BR> Reportagem Local 
Quando ouviu falar do jiu-jítsu pela primeira vez, o garoto Luiz Felipe Domingues Ferreira, de 15 anos, não imaginava que este seria o esporte responsável por uma mudança radical em sua vida. Foi graças a arte marcial que ele conseguiu afastar-se das más companhias e dar um novo rumo ao seu futuro.
"Eu estudava de manhã e à tarde ficava na rua, sem fazer nada, vendo um monte de coisa errada", relembra o garoto, que mora no Conjunto Saltinho, na zona sul de Londrina. "Comecei (jiu-jítsu) para passar o tempo e não parei mais. Depois que entrei não sobrou mais tempo para ficar na rua fazendo coisa errada, fiquei mais responsável, mais disciplinado e até mais contente. É um esporte que pode mudar a vida de qualquer um", relata o lutador.
Pouco mais de um ano depois, Luiz Felipe mostra que o jiu-jítsu realmente transformou sua vida. Ao invés de problemas, agora ele coleciona troféus e medalhas e já desponta como um dos atletas mais promissores da modalidade no Paraná. Em outubro do ano passado, faturou seu principal título até agora, o campeonato paranaense da categoria infanto-juvenil. Também venceu a Copa Procopense na categoria absoluto, lutando contra adversários até 20 quilos mais pesados.
Tudo isso, porém, só foi possível graças a um projeto social chamado "Anjos da Guarda", que tem ajudado muitos jovens moradores da zona sul de Londrina encontrar novos rumos. A ideia nasceu no começo do ano passado, por iniciativa do professor de educação física e dono de uma academia na região, Ismael de Pinho Nogueira.
Espiga, como é conhecido pelos amigos, foi criado na região e viu muitos jovens se perderem no meio do caminho. Diante disso, o professor, um apaixonado pelo jiu-jítsu, viu no projeto uma forma de retribuir à sociedade o que já conquistou por ali. "O grande problema é que eles não têm referência alguma de disciplina, do que querem ser na vida, sem projeto para o futuro; e com o jiu-jítsu eles começaram a entender isso. Às vezes, o papel que falta no lar, a gente procura passar. Tratamos todo mundo como uma família mesmo", frisa o coordenador do projeto.
Em outubro do ano passado, o "Anjos da Guarda', que já atendeu cerca de 60 jovens em situação de risco, quase acabou por falta de apoio. Mas uma parceria com a Central Única das Favelas (Cufa) ajudou a dar um novo ânimo e o projeto foi reativado em janeiro. "Essa parceria vai ser muito importante para nós, pois eles vão nos ajudar a divulgar mais o projeto, trazer mais crianças. Às vezes, temos o profissional, a estrutura, mas não há procura. A Cufa também vai ajudar a buscar a ajuda de mais empresas", celebra Espiga.
A parceira já viabilizou até a abertura de mais 50 vagas para que mais jovens sigam o exemplo de Luiz Felipe. A única exigência para se candidatar é estar matriculado na escola e ter entre 7 e 17 anos.
Quem já tem a sua nem pensa em largar. Outro destaque que saiu do projeto, Lucas Balan, de 17 anos, mora em Cambé, mas ao menos três vezes por semana vem a Londrina para treinar. Campeão paranaense juvenil e absoluto, o garoto já tem planos ambiciosos no esporte. "Pretendo ser lutador, mas para isso preciso continuar treinando para conseguir patrocinadores", projeta ele, que jura amor ao esporte. "Se eu pudesse treinava 24 horas por dia. Não fosse o jiu-jítsu, hoje eu seria outra pessoa. É prioridade na minha vida", diz Balan, que começou este ano a faculdade de Educação Física.
Outro que também já tem planos bem definidos com o esporte é Raul Araújo Ribeiro. O jovem de 18 anos sonha seguir os passos dos ídolos do MMA. "Quero partir para isso", define ele, que também tem muito a agradecer ao projeto. "Larguei as más companhias e hoje meus amigos estão aqui", frisa. "Se sair algum atleta campeão, bom, mas se não sair, nossa meta maior é formar cidadãos", encerra Espiga. Interessados em participar do projeto podem entrar em contato através do telefone: (43) 3342-8496.


