ANIVERSÁRIO NAS NUVENS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de agosto de 2000
Andrés Baró De Curitiba 
Os montanhistas paranaenses fizeram história, no último final de semana, ao levar o professor Erwin Gröoger a 1.400 metros de altitude, na Serra do Capivari. O respeito e admiração por este personagem estavam presentes no coração de todos que o acompanhavam em mais um aniversário celebrado na montanha desta vez, o de 88 anos.
Na manhã do sábado, bem cedo, a caravana partiu de Curitiba em direção à serra. Deixamos os carros e começamos a caminhada seguindo o professor, inicialmente por uma estrada de concreto, que leva até as torres de telefonia, localizadas a 1.180 m. A partir dali, seguimos a trilha que nos leva ao nosso objetivo, o acampamento-base situado no 1º colo da montanha, a uma altitude de 1.400 metros.
Nesta trilha, foram vários os obstáculos superados pelo professor. O pior: uma depressão de um metro e meio de profundidade. O pessoal da Clube Paranaense de Montanhismo (CPM) adaptou uma espécie de cadeirinha, feita de cordas, muito usada por escaladores, para descer o professor e devolvê-lo à trilha.
Apesar do supremo esforço físico, considerando o peso de nove décadas de vida em suas costas, Erwin Gröoger demonstrou durante todo o percurso muita alegria em ter mais esta oportunidade de conviver com a montanha. Foram frequentes as paradas para o descanso.
Na minha vida inteira nunca tirei tanta força como agora para subir uma montanha disse o professor, que aproveitava os intervalos para transmitir algum ensinamento. Sempre que via restos de plástico e lixo na terra, os juntava:
Isto não pode ficar aqui!
Infelizmente, boa parte da montanha tinha sofrido a ação de queimadas, fato que comoveu o professor. As queimadas podem ter sido causadas por pecuaristas imprudentes, que queimam a mata nativa para expandir o campo de pasto para o gado, ou pela ignorância dos que soltam balões, prática comum nas recentes festividades juninas na região.
O local escolhido para o acampamento-base foi magnífico. Apesar do constante vento frio, fazendo os termômetros acusar até 2 graus Celsius, o visual da serra compensa todos os sacrifícios. Nos encontrávamos acima das nuvens, parecia uma paisagem vista desde a janela de um avião. Lembro da hora do amanhecer, quando tal era a quantidade de nuvens que se assemelhava a um mar branco de algodão, com algumas ilhas no horizonte, que nada mais eram que cumes de outras montanhas vizinhas. Tudo isso sobre o colorido exótico da aurora.
Entendi a vocação do professor para a pintura. Imaginem, são 83 anos em contato com todo este cenário. Palavras do professor:
A montanha educa. É uma das formas de chegar a Deus. A lição que a montanha nos dá é a lição da humildade.


