Agência Estado
De Salvador e Belo Horizonte
A torcida do Vitória festejou até a madrugada, nos bares de Salvador, a classificação do time para as semifinais do Campeonato Brasileiro, após o empate em 1 a 1 com o Vasco, no Rio. Desde 93, quando foi vice-campeão, disputando a final com o Palmeiras, o Vitória não chega tão longe no Brasileiro. A fórmula do sucesso é um elenco jovem e o esquema de contra-ataques, montado pelo treinador Toninho Cerezo.
‘‘Podemos chegar bem mais longe’’, disse o treinador logo após o empate com o Vasco, anteontem à noite em São Januário, evitando, contudo, a euforia exagerada.
Sobre o fato de enfrentar agora o Atlético Mineiro, clube que o projetou no futebol, Cerezo afirmou que não ficará dividido. ‘‘É o meu time do coração, mas o Galo me ensinou a ser guerreiro, a lutar pelas minhas coisas e vou lutar pelo Vitória’’, disse, achando não haver favoritos na disputa.
Para ganhar, conforme o técnico o Vitória precisa ‘‘de coração, vontade e correr mais que o adversário’’. Um dos jogadores mais alegres após a classificação foi o meia Baiano, autor do gol de empate diante do Vasco, que carimbou o passaporte do Vitória para as semifinais. ‘‘Foi o mais importante da minha vida; eu tinha confiança, pedi a bola ao Jean Carlo e garanti a ele que faria o gol pois havia muita gente orando e torcendo por nós’’, declarou.
A delegação do Vitória retornou à capital baiana ontem à tarde e só viaja para Belo Horizonte no sábado para a primeira partida contra o Atlético, domingo, no Mineirão. O time baiano tem a vantagem de jogar as duas últimas partidas do playoff em casa.
Atlético-MG – O técnico do Atlético-MG, Humberto Ramos, não poupou elogios, ontem, ao Vitória-BA e ao técnico Toninho Cerezo, de quem é amigo, mas garantiu já conhecer os ‘‘pontos vulneráveis’’ da equipe baiana, sua adversária nas semifinais do Brasileiro. Segundo Ramos, o Vitória mereceu a classificação no empate com o Vasco, graças ao que considera a maior arma do time: a força de conjunto. ‘‘Eles não têm estrelas: prevalece o espírito de conjunto, com toques rápidos e facilidade nas saídas para o ataque’’, disse o atleticano.
Ramos, ex-supervisor de futebol que nunca foi técnico e assumiu a equipe há apenas quatro jogos, diz estar confiante na conquista do bicampeonato Brasileiro, dele e do time – em 1971, ele atuava como meia no próprio Atlético-MG. ‘‘Tenho certeza de que passaremos à final e atingiremos nossa meta, que é o título’’, disse.
O Atlético chegou à final outras duas vezes, perdendo o título para o São Paulo (1977) e Flamengo (1980).

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