''A principal palavra da nossa vida tem que ser perseverança, nunca se pode desistir''. A frase é do nadador André Brasil Esteves, 24 anos, que esteve em Londrina, quinta-feira, para a inauguração da Academia Gustavo Borges Natação & Bem-Estar, de propriedade do ex-atleta e instalada onde antes funcionava a Wet Sport.
André Brasil, que faturou este mês quatro medalhas de ouro e uma de prata na Paraolimpíada de Pequim, foi um dos convidados ilustres de Borges. Deu autógrafos, conversou com as crianças e, ao final, caiu na piscina para uma prova de revezamento que contou com Borges e os ex-nadadores Manoel dos Santos e Ricardo Ramalho. Este último é sócio de Borges na rede de academias - que tem outras unidades em Curitiba e São Paulo - e disputou as Olimpíadas de Seul-88 e Barcelona-92.
À FOLHA, André Brasil contou um pouco de sua história de vida, explicando que sua deficiência (apenas na perna esquerda) surgiu após ter contraído paralisia infantil logo que nasceu. ''Por sorte o diagnóstico foi precoce e com apenas três meses meus pais me colocaram na piscina para fazer fisioterapia e natação. Com isso, fiquei praticamente sem sequelas'', disse Brasil, apontando para a perna esquerda, com a qual consegue caminhar normalmente.
Ele relata que só conseguiu chegar aos movimentos que tem hoje graças à natação diária e as sete cirurgias feitas na perna até os oito anos de idade. ''Se não fosse tudo isso, não teria a vida normal que tenho hoje'', ressalta André, que cursa o último ano de Fisioterapia em São Paulo, onde mora e onde treina pelo Pinheiros, seu clube oficial.
Os esforços feitos pelo pai quando André era criança eram incompreendidos por todos. ''Ele me colocava todos os dias na piscina gelada do prédio (no Rio de Janeiro, onde nasceu) e isso era até no inverno, porque o tratamento não podia parar. Tudo mundo dizia que ele me maltratava. Mas hoje eu agradeço muito a ele por esses 'maus-tratos', que me fizeram ser a pessoa que sou'', afirmou.
Sem restrições para o esporte após oito anos de idade, André Brasil conta que praticou de tudo: futebol, basquete, futsal, judô, além da natação. Como suas limitações para nadar são mínimas, André compete também como atleta normal pelo Pinheiros em campeonatos brasileiros e sul-americanos. Isso porque, apesar do problema na perna, ele consegue ótimos tempos, se comparados aos atletas de ponta. ''O César Cielo, por exemplo, foi ouro em Pequim e recordista mundial nos 50m livre com 21s30. Eu faço os 50m em 23s61'', concluiu André.

mockup