André Azevedo diminui a diferença para o líder
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2000
Por Julio Cruz Neto 
Dakhla, 21 (AE) - Quando um piloto não tem um veículo à altura de seus adversários, não resta muito a fazer a não ser torcer. Fazer tudo direitinho, não errar e tentar tirar a diferença na estratégia sempre ajuda, mas um erro do concorrente é essencial. Se forem dois, melhor ainda. Com três, dá até para pensar em vitória. Essa é a situação de André Azevedo na categoria caminhões do rali Dacar-Cairo.
Em segundo na classificação geral, o seu Tatra vem diminuindo dia a dia a diferença que o separa do líder, o Kamaz de Vladimir Tchaguine, que teve problemas nos últimos três dias - o de hoje foi um pneu furado, que fez André ganhar mais sete minutos. Na etapa de amanhã, o brasileiro entra com 13 minutos de desvantagem. É a penúltima, mas a última que pode mudar alguma coisa, pois a de domingo tem apenas quatro quilômetros. Também é preciso tomar cuidado com o outro Tatra, do checo Karel Loprais, que está menos de 10 minutos atrás, em terceiro. A primeira moto sai do aeroporto de Dakhla às 3h30.
Entre Dakhla e Wadi Rayan, no Egito, serão 416 quilômetros de especial e 306 deslocamento. Hora de arriscar tudo para buscar o título? André não se ilude: "Vamos esperar que fure mais um pneu dele, quem sabe dois." Dos concorrentes, o seu é aquele que tem a pior relação peso/potência. Como não tem caminhão de apoio, tem de carregar todas as suas peças, além de pneus do carro de Kléver Kolberg e da moto de Juca Bala, ambos da mesma equipe. Sem falar na bagagem dos ocupantes - André, o navegador, tem ao seu lado os checos Tomas Tomecek (piloto) e Petr Vodak (mecânico).
Terceiro colocado no ano passado, seu primeiro de caminhão, André não está satisfeito com essa dependência do azar alheio. E já andou sondando pilotos da Kamaz sobre a possibilidade de ter um caminhão da marca russa.
Dos outros brasileiros, a má notícia veio de Juca Bala, que teve o motor de sua moto KTM quebrado no quilômetro 70 e novamente não vai chegar ao fim - no ano passado, ele atropelou uma vaca. Juca era o 14º. Kléver Kolberg acha que ele forçou demais o ritmo. André Azevedo lembra que as KTMs têm tido problemas desde o início. Até às 18 horas de Brasília, Juca não havia chegado ao acampamento de Dakhla para dar sua versão, porque o caminhão-vassoura, que traz as motos quebradas, sempre chega tarde.
Na tenda de imprensa, a moto austríaca já ganhou o apelido de KaosTM.
A última vítima, também por motor quebrado, foi o espanhol Joan Roma, que liderou quase a prova toda e perdeu uma ótima chance de vencer.
Kléver Kolberg, de Mitsubishi, foi o 16o e está em 15o no geral, segundo na categoria maratona. Os carros da Troller tiveram pequenos problemas, mas todos chegaram a Dakhla: Arnoldo Silveira e Gabriel Galdino, com pneu furado (47o e 44o), Cacá Clauset e Amyr Klink, sem a primeira, terceira e quinta marchas (57o e 50o), Roberto Macedo e Marcos Ermírio de Moraes, com pane elétrica (75o e 71o).
O francês Jean-Louis Schlesser continua em primeiro nos carros
13 minutos à frente do compatriota Stephane Peterhansel. E nas motos, o francês Richard Sainct só não será bicampeão se tiver algum problema sério. Sua vantagem sobre o espanhol Oscar Gallardo é de 45 minutos.
Sem grandes disputas e com etapas fáceis todos os dias, a suposta ameaça terrorista que suspendeu quatro etapas do Dacar continua em pauta. Hoje, saiu no jornal francês LEquipe que aquilo que os satélites americanos identificaram como terroristas em carros 4x4 seriam na verdade camelos sendo transportados para a Argélia, que teria oferecido incentivos para quem criasse esse animal no país.
Outra versão: foi uma invenção do Governo francês, que está empurrando um grupo terrorista da Argélia para o Chad e não queria que a caravana do Dacar cruzasse com eles no Níger, para não chamar a atenção da opinião pública. Toda história mal contada gera interpretações.


