Rio - O técnico Andrade não está satisfeito com o título brasileiro. Ele quer mais, quer levar o Flamengo ao bicampeonato da Copa Libertadores em 2010, título que ajudou o clube conquistar como jogador em 1981. E para isso sabe que precisará de reforços.
Independentemente de quem seria escolhido o novo presidente - a eleição seria encerrada ontem à noite -, Andrade deve permanecer no comando do clube da Gávea.
''A Libertadores é um campeonato difícil, diferente. Temos que manter o grupo e trazer mais dois ou três jogadores para tentarmos lutar pelo título, que será muito importante'', avisou Andrade, sem citar, no entanto, para quais posições solicitará novos atletas.
A defesa, por exemplo, deve se manter intacta para a próxima temporada, já que Álvaro, que não jogou domingo, David, autor do gol de empate, e Ronaldo Angelim, herói do título, estão em alta com o treinador e dificilmente sairão da Gávea.
Internamente, a diretoria do Flamengo chegou à conclusão que precisa de um reserva à altura do sérvio Petkovic, que aos 37 anos deu sinais de que não ''tem perna'' para jogar 90 minutos. Para o ataque, além de manter o artilheiro Adriano, o Rubro-Negro deve apresentar uma proposta a Vágner Love, que deve deixar o Palmeiras.
Contrariando tradições
O lema na Gávea sempre foi: ''Craque o Flamengo faz em casa''. Ao contrário das outras conquistas do título brasileiro, a equipe flamenguista ergueu o troféu domingo tendo apenas dois jogadores revelados nas categorias de base: o volante Airton e o atacante Adriano.
Em 1992, no título conquistado contra o Botafogo, mais da metade da equipe titular foi formada no clube, como o volante Fabinho, o zagueiro Júnior Baiano, o meia Zinho e o meia Júnior. Na década de 80, então, nem se fala. O Flamengo era composto basicamente por crias da casa, como Zico, Andrade, Júnior, Adílio e Leandro.
Agora, a realidade é outra. O Flamengo gasta mais com contratações e não produz tantos craques. Quando isso acontece, logo são negociados. Adriano é um exemplo disso: estreou com a camisa flamenguista em 2000, aos 17 anos, e chegou a ser contestado dentro e fora do clube. Muitos achavam que ele era apenas um trombador. Um ano e meio depois, deixou a Gávea e foi apresentado sem nenhuma pompa na Internazionale de Milão.
Em sua primeira aparição, Adriano apresentou suas credenciais: fez um gol contra o Real Madrid, no Santiago Bernabéu. Era só o começo de uma história repleta de conquistas, gols e polêmicas pela Inter e pela seleção. Retornou ao Flamengo nesse ano ''em busca de felicidade''. ''Quando eu subi pegaram muito no meu pé. É preciso ter paciência'', alertou o atacante.
Por que o clube não revela mais tantos talentos? O técnico Andrade sabe os motivos. ''O perfil da diretoria de antes era o de não contratar. É importante investir nas categorias de base. Nos últimos anos, realmente não temos conseguido formar grandes jogadores'', explicou o treinador.
''Sou a favor de oferecer oportunidade para a garotada, desde que ela tenha talento'', continuou Andrade. ''O ideal é contratar atletas experientes e misturá-los com os mais jovens.''

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