São Paulo, 09 (AE) - Amyr Klink está voltando para casa. O navegador, que no dia 19/2 terminou sua viagem de circunavegar o Continente Antártico sozinho, no veleiro Paratii, na latitude 50º - um feito único na história da navegação - deixou a baía Grytviken, na Georgia do Sul, anteontem, rumo a Paraty (RJ). E nem na hora de voltar para casa encontrou tranquilidade. Com ventos fortes (60 nós, cerca de 120 km/h) e mar grosso, Amyr teve de navegar 40 horas seguidas sem dormir e comer, numa tremenda pauleira e quase perde a âncora.
Foram 79 dias navegando. Considerando-se as paradas na Baía Dorian (6 dias) e na Base Brasileira, King George Island (3 dias) são 88. Para essas paradas foram gastos 3 dias de desvio. "Foi mais rápido do que esperava", disse Amyr, através de seu telefone celular global Iridium, para sua esposa Marina, a primeira pessoa a receber a notícia.
Às 6h36, Amyr ligou para Marina e contou: "Estou entrando na Baía Cuberland. A água está 4,4º C. Está amanhecendo... É um dia muito bonito aqui. Marina, você não sabe como é importante esse momento, que vai passando pelo mesmo trechinho que já passou na saída. Queria que você fosse a primeira pessoa a saber que cheguei. Obrigado por tudo".
Na Georgia do Sul, Amyr encontrou os amigos Tim e Pauline, casal que o viu partir em novembro. Eles residem na ilha, num veleiro de madeira do século passado. "Estou muito contente de voltar aqui para Grytviken. Só tem um casal que é testemunha da viagem que fiz. Foram as únicas duas pessoas que me viram partir daqui e me viram chegar. Eles estão num barquinho perto daqui. Foi muito legal encontrá-los hoje de manhã". E completou: "Esse aqui é uma delícia de ancoradouro. Estou atracado no mesmo cais de quando iniciei a viagem. Não estou acreditando! Parece que estava aqui ontem. Parece que não fiz viagem nenhuma!"
Mas o trecho final da viagem foi turbulento. Na quinta-feira (11) o Paratii se desgarrou, estava sendo levado para mar aberto enquanto Amyr acabava de almoçar. As ondas cresceram, o vento ficou insuportável, e os companheiros da Base Brasileira ajudaram Amyr no resgate do Paratii em barcos infláveis. "Nunca me molhei tanto, depois de mais de 50 tempestades essa foi a primeira vez que me molhei inteiro." disse.
Na quinta-feira (18) Amyr levou outro grande susto. Estava contornando a ilha Georgia do Sul pela sua face norte, a caminho do mesmo ancoradouro da partida quando o barco deitou de lado. O mastro se enterrou na água. As portas travaram. Com isso
além de ter de correr para reorganizar a manobra, não conseguia abrir as portas para sair da cabina. "De repente o Paratii se viu deitando em meio a grandes ondas, que vinham a cada 100 metros umas das outras. Mais pareciam paredões de água. Eu ali, preso dentro do barco e tentando sair". Amyr enfrentou ventos de 50 nós, súbitos, não previstos em nenhuma carta meteorológica.
Agora, Amyr pretende descansar cerca de 3 semanas na Georgia do Sul, antes de iniciar sua viagem de retorno ao Brasil
que deve levar 20 dias. Este arquipélago território sub-antártico - localiza-se a 1280 km a sudeste das Ilhas Malvinas (Falklands), tem 160 km de comprimento e 32 km de largura. É uma região extremamente montanhosa e mais da metade da ilha está permanentemente coberta por neve ou gelo, onde se concentra grande número de focas, elefantes marinhos, pinguins e aves marinhas.

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