Amor sem limites
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quinta-feira, 17 de abril de 2014
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
A paixão pelo clube de futebol ou pela namorada, quando é avassaladora, não tem limites. O clichê será colocado em prática a partir de hoje pelo gerente de uma escola de cursos preparatórios para concursos, Paulo César Garcia de Souza, de 21 anos. No calor da semifinal do Campeonato Paranaense diante do Atlético-PR, ele prometeu que se o time virasse o jogo e fosse campeão iria a pé até Marília (SP), a uma distância de 200 quilômetros, onde mora a namorada. No desespero dos pênaltis de domingo, na final contra o Maringá, ele incrementou a promessa: se o Tubarão dessa a volta olímpica ele, além de ir a pé até Marília, deixaria de "enrolar" a moça e a pediria em casamento com uma bela serenata.
A, literalmente, caminhada de Paulo César têm início hoje, às 7 horas. Mas ele não vai sozinho. Os amigos Wagner Felipe e Thomas Dias, a quem ele define como "mais que irmãos", vão acompanhá-lo. Não deixaram que entrasse nessa fria sozinho e mergulharam juntos.
Antes de saber o percurso e o planejamento da "peregrinação", é preciso saber como essa loucura começou. Paulo César é um dos torcedores mais fanáticos do clube e olha que ele nasceu um mês depois do, até domingo, último título importante da equipe. O gerente assistiu a todos os jogos do Londrina nos últimos três anos. Mesmo em locais distantes, como Lajeado e Caxias, no Rio Grande do Sul, por exemplo, na Série D do Brasileiro. Quinta-feira passada o Tubarão jogou em Criciúma e advinha quem era um dos cinco torcedores que estavam lá nas arquibancadas do Heriberto Hülse. Ele mesmo. "Peguei um avião aqui às 16h10, fui pra Florianópolis e de lá peguei um ônibus para Criciúma. Cheguei um pouco atrasado, mas assisti ao jogo. Depois da partida já voltei e fui direto trabalhar na manhã seguinte", contou.
PROMESSA
E, no histórico dia 2 de abril, ele estava no estádio do Café. Quando Marcos Guilherme fez 1 a 0 para o Atlético-PR, veio a promessa. "O Londrina atacava, atacava e não fazia o gol. Daí o Atlético-PR vai lá e na primeira bola faz 1 a 0. Me desesperei, virei para meu amigo e disse que se virasse o jogo, se classificasse e fosse campeão, eu iria até Marília, a pé, levar uma camisa oficial para a minha namorada que mora lá", contou.
A história foi parar no Facebook e aí foi só ganhando proporções. Não tinha mais como voltar atrás. Chegou o dia da decisão. O Maringá pressionava de todos os jeitos em busca do gol da vitória e o Londrina defendia-se como podia. Até que no finalzinho do jogo, Vítor operou mais um de seus milagres naquela tarde nublada. Não teve dúvidas: precisava aumentar a promessa para o título vir. "Prometi que se o time vencesse nos pênaltis, quando eu chegasse em Marília, eu iria parar de enrolá-la e a pediria em casamento", revelou.
E do chute para fora de Cristiano no último pênalti maringaense, veio a mudança no status do relacionamento do gerente e a obrigação de cumprir a promessa. "Não sei quem ficou mais feliz com o resultado, ela ou eu", disse o torcedor, que afastou qualquer possibilidade de ter feito a promessa querendo prorrogar o casamento não confiando que o time fosse campeão.
PERCURSO
No primeiro capítulo da saga de Paulo César, ele pretende percorrer 66,5 quilômetros até a base da Polícia Rodoviária da PR-323, na divisão com o Estado de São Paulo. Ele calcula chegar por lá às 23h30 e levantará acampamento com os dois amigos para pernoitar em segurança. Do local, percorrem 82,8 quilômetros até Echaporã-SP. Mais 18 horas aproximadamente de muito bate-perna. No domingo de Páscoa, finalizam os 48,3 quilômetros até Marília. Ele tem o compromisso ainda de fazer isso até 17 horas, horário em que pegará seu violão, devidamente despachado por ônibus, na rodoviária. O instrumento é peça chave no pedido de noivado, assim como a camisa e a bandeira do Tubarão.
A sortuda é a estudante Nalim Yoham, de apenas 15 anos. Ela se mudou para a cidade paulista acompanhando o pai que havia conseguido trabalho. A família toda dela deve voltar para Londrina no segundo semestre, quando deve também ocorrer o casamento deles. Os pais dela apoiam a relação e vão até morar junto com o genro "maluco", que conheceram sete meses atrás, quando o casal oficializou o namoro.
"É um pouco de loucura, mas uma loucura consciente, ainda mais pelo Tubarão e pelo amor da sua vida", concluiu o alviceleste apaixonado.


