Procura-se um patrocinador para equipe de nadadores deficientes. Oferece-se esforço, alegria de viver, amor ao esporte e bons resultados. Contatos no 338-8288. Falar com Maria Helena Bartolomeu.
O anúncio acima poderia estar na seção de classificados se os pleiteantes não fossem tão carentes e desamparados. Sete atletas londrinenses têm apenas cinco dias para evitar que seus sonhos não se transformem em pesadelos.
Até o dia 9, eles aguardam o aparecimento de um patrocinador que banque uma viagem até Itajaí, no litoral catarinense, onde será disputada a fase Regional Sul dos Jogos Paraolímpicos Brasileiros, seletiva para a fase nacional que deve ocorrer em agosto.
Os jogos são campo de observação para se formar a equipe nacional paraolímpica da modalidade que representará o País na Paraolimpíada de Atenas 2004. Se não conseguirem, terão que enfrentar o desânimo e mais um ano de treinamento até a próxima oportunidade, em 2003.
O grupo que compete pela Associação de Deficientes Físicos de Londrina (Adefil) treina à noite no Grêmio Londrinense, quatro vezes por semana em sessões de uma hora e meia. Atualmente não contam com treinador nem com transporte da casa para o clube, que fica a sete quilômetros do centro. Muitas vezes se unem para pagar o aluguel da piscina (R$ 66,00 mensais).
O mais promissor do grupo é o nadador Claudines Bartolomeu, 32 anos, 43 medalhas (a maioria de ouro) em cinco anos de paranatação, que já disputou a fase final em 2000, no Rio de Janeiro, junto com outros dois companheiros de equipe.
Claudines, ex-montador de móveis, é tetraplégico. Sofreu um acidente em 1991, quando um carro atingiu sua moto em uma esquina do Jardim Bandeirantes (zona oeste). Até então, nunca tinha entrada em uma piscina.
''No Rio, fomos em três atletas e ficamos sozinho no hotel. A organização prometeu um ajudante, que não apareceu. O quarto não era adaptado, a cadeira não passava na porta do banheiro'', recorda Claudines, que disputa os 50, 100, 200 metros nado livre e nos 50 metros nado de costas, sua especialidade. Na ocasião, ele ficou bem próximo do índice para a disputa da Paraolimpíada de Sydney (Austrália). ''Meus tempos estão cada vez melhores e tenho esperança de estar em Atenas''.
Domingos Bartolomeu, 62, é seu pai e companheiro de equipe. Teve um braço direito amputado aos 39 anos de idade, em um acidente com uma máquina industrial. Começou a nadar com o incentivo do filho. Os dois se deslocam em um Monza 90 adaptado, que Claudines comprou depois de economizar sua aposentadoria por sete meses. Ele e o pai tem o mesmo valor de benefício R$ 260,00, a única fonte de renda da família. A mãe de Claudines, Maria Helena, não pode trabalhar, mas é a retaguarda fora da piscina.

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