Amigos de Itamar ficam no Tubarão
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quarta-feira, 02 de março de 2005
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
No dia em que o Londrina apresentava seu novo treinador, José Araújo da Silva, o Zezito, quem chamou a atenção foi o grupo de jogadores ''rebelados''. Depois de muito vai-e-vem, o goleiro Vilson, os zagueiros Alex e Rodrigo e o volante Gian anunciaram no início da noite que ficarão no clube até o fim do Campeonato Paranaense.
Os quatro haviam pedido dispensa após a demissão do ex-técnico Itamar Bernardes, na segunda-feira à noite, em solidariedade ao amigo. Chegaram a colocar condições para permanecerem. Queriam que o coordenador de futebol Sidiclei Menezes fosse afastado do cargo. A diretoria já trabalhava para repor as peças, mas, na manhã de ontem, os jogadores procuraram o presidente Agostinho Miguel Garrote para comunicar a nova decisão: queriam ficar.
Aí começou a queda de braço. Quem já não sabia se seria bom mantê-los no elenco era a diretoria. Durante toda a tarde os quatro jogadores permaneceram na sala de Garrote, enquanto o presidente e seu fiel escudeiro, o vice Luiz Souto de Camargo ficaram debatendo no gramado até decidirem dar uma nova oportunidade aos atletas. Para isso, porém, eles queriam ouvir a opinião do novo técnico e do elenco.
''A decisão ficou nas minhas mãos. Se está todo mundo a favor dos meninos, não sou eu que vou colocar obstáculos, mas dentro de campo vou cobrar'', ponderou Zezito. ''Apesar de tudo, queremos que retornem. Foi uma situação ruim, repensaram e viram que estavam errados. A equipe precisa deles'', observou o capitão Edmilson.
A multa rescisória era o principal entrave para que os quatro jogadores deixassem o Londrina. Quem quisesse pegar o boné e partir tinha que depositar a multa de R$ 100 mil. ''Eu não tenho condições de pagar'', disse Alex.
Outros motivos também pesaram na decisão. Nenhum deles pode arrumar emprego em outro time paranaense este ano por já ter jogado pelo Londrina. O mercado nos outros estados está fechado. Todos têm família e filhos e não podem ficar meses parados, sem receber. Por fim, querem aproveitar a boa fase que vivem no clube, já pensando em uma boa negociação no futuro.
''Minha noiva está grávida, tenho família na Bahia e não posso sair daqui com uma mão na frente e outra atrás. Conversei muito com o pessoal da Falange (Azul, torcida organizada), chorei pra caramba e decidi continuar. Onde vou jogar com amor à camisa'', contou Alex.
O discurso do quarteto foi o mesmo. Os jogadores prometem mais aplicação, garra e determinação após o acontecido. ''Não achamos justo o que aconteceu (demissão de Bernardes), mas o Londrina está num bom momento e nós estamos em boa fase. Teremos até mais garra do que antes'', disse Rodrigo. ''A responsabilidade aumenta. Eu não posso falhar. Mas é muito bom jogar aqui, com o VGD lotado. Temos carinho enorme pelos que aqui estão e pelos que saíram. Nesta hora decisiva não podemos deixar o clube na mão'', emendou Vilson.
Segundo Menezes, o episódio está superado. ''Foi a decisão mais sensata'', resumiu.


