Americano, um pequeno muito poderoso
Rio de Janeiro - Clubes pequenos do futebol brasileiro quase sempre reclamam de uma certa má vontade da arbitragem em jogos com grandes equipes. Certo? Mais ou menos. No Rio, talvez haja um caso bem específico que demonstre o contrário.
O Americano de Campos, time do presidente da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, Eduardo Viana, é a exceção. Muitos de seus jogos terminam em confusão, mesmo aqueles com clubes tradicionais, como Fluminense e Vasco. E aí surge a pergunta: o Americano vence por mérito próprio ou graças a um 'empurrãozinho' da arbitragem?
Zico, ex-ídolo do Flamengo, já declarou publicamente que não acredita mais na lisura do futebol carioca. Ele é dono do clube CFZ, fundado em 1996 e que há cinco anos chega à final da Segunda Divisão do Rio sem conseguir sucesso na decisão. Em três dessas oportunidades, os dirigentes do CFZ garantem que foram 'garfados' pela arbitragem. Não é difícil entender o motivo. Zico defende há anos uma ampla reformulação na estrutura do futebol carioca e, por isso, tornou-se adversário político de Viana.
Descrente em qualquer mudança, Zico desfez-se este ano do time profissional do CFZ no Rio e encerrou o sonho de ascendê-lo ao grupo de elite.
O técnico do Fluminense, Renato Gaúcho, já declarou à imprensa duas vezes que ''existe roubalheira'' no atual campeonato, com ''armação de resultados''. Depois, preferiu não se estender sobre o assunto.
Curiosamente, o Fluminense teve um gol legítimo anulado no empate por 3 a 3 com o Americano, na última rodada. O lance polêmico ocorreu a cinco minutos do fim da partida. Antes mesmo disso, até o Vasco, que viajou a Campos para enfrentar a equipe de Viana, sentiu o gosto amargo da boa vontade dos árbitros cariocas com o Americano: perdeu por 2 a 1, num jogo em que teve um pênalti claro não marcado.
O maior escândalo deu-se em 2000, na seletiva do Campeonato Carioca que reuniu 10 clubes. Oito deles se classificariam para se juntar a Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo. A federação formulou um regulamento que beneficiava com pontos os clubes com melhor desempenho nos três Cariocas anteriores. Americano e Bangu iniciaram a seletiva com 8 pontos cada e, pasmem!, mesmo se perdessem todas as partidas da fase eliminatória não poderiam terminar em último lugar. Portanto, estavam classificados por antecipação. Nem precisavam disputar a seletiva.
Para manter-se no poder desde meados dos anos 80, Viana controla dezenas de ligas municipais espalhadas pelo Estado. Há cidades que nem sequer dispõem de estádios, mas contam com direito a voto nas eleições da federação.





