Ameaças e agressões são comuns na arbitragem
''O árbitro que nunca levou um empurrão não pode se considerar um árbitro''. A frase é do assistente Gilson Bento Coutinho, que se irrita quando é chamado de bandeirinha. Pois as ameaças e as consequentes agressões são apenas alguns dos percalços que os homens de preto enfrentam durante a carreira. ''Já saí escoltado em Apucarana após um jogo entre Roma e Paranavaí'', lembrou Coutinho.
Cléber Luís Ludwing foi outro que já deu uma volta de carro com proteção policial. ''Já tive que sair escoltado do Willie Davids (em Maringá). O Galo fez o gol de empate contra o Prudentópolis no último minuto e eu marquei impedimento. A torcida queria a nossa pele'', relembrou.
Já Antonio Denival de Moraes anda sempre de camburão, mas só a trabalho. O policial militar diz que nunca precisou de escolta. ''Mas se tivesse que sair, para mim não é novidade'', brincou.
Mas se eles levam na brincadeira a questão das agressões, suas famílias não enxergam por esse lado. E quem mais sofre são as mães. ''Minha mãe sofre demais, pois ficamos muito expostos'', lamentou Denival. ''Minha família fala que eu sou maluco. Minha mãe assiste a todos os jogos e fica bem chateada quando erro'', disse Coutinho.
Conforme Ludwing, a mãe tenta convencê-lo até hoje a largar o apito. ''Minha mãe pediu para parar várias vezes porque é perigoso. E continua falando a mesma coisa. Mãe é mãe''.
Mas não são os xingamentos nem as ameaças e agressões que deixam os árbitros preocupados. São os erros. ''Você está lá (no campo) sempre para acertar. Nós (árbitros) temos apenas deveres e obrigações, nunca direitos'', comentou Coutinho.
Denival contou que não gosta nem de pensar em erros. ''Quando vejo um erro, fico muito mal. O erro e o acerto estão lado a lado, mas nós estamos ali para acertar 100%. É de desligar o celular, não assistir aos programas esportivos...'', revelou, recriminando a responsabilidade, segundo ele exagerada, jogada em cima dos árbitros. ''Nós sempre vamos ser lembrados pelos nossos erros e nunca pelos acertos. Nunca vamos ver na tevê um acerto nosso, sempre as falhas''.
Apesar de todos as durezas da profissão, nenhum deles pensa em abandoná-la. O motivo principal está no bolso. ''Financeiramente compensa, mesmo apitando só no Paraná'', disse Denival, endossado por Coutinho, antes de abrir um largo sorriso. (T.M.)





