Arquivo FolhaO últimoCom a rescisão do contrato do meia Luis Carlos Oliveira, ontem, todo o elenco do Tubarão está desfeitoO agravamento da crise do Londrina, inclusive com ameaça de extinção da Sociedade dos Amigos do Londrina (SAL), deixou a torcida londrinense preocupada. Foi o assunto principal de ontem das rodas esportivas e dos programas especializados de rádio e televisão. Já se fala até na possibilidade de um grupo de associados do clube entrar com um pedido de auditoria externa, para que a situação do Londrina seja realmente levantada, pelo menos de dez anos para cá.
Para aumentar a aflição, oficiais de justiça efetuaram uma penhora de bens na sede administrativa do Tubarão, localizada no Estádio Vitorino Gonçalves Dias. Uma dívida trabalhista com Maria Aparecida Queiroz, 48 anos, que trabalhou no clube como lavadeira de 1987 a 1995, deu origem a penhora de dois aparelhos de televisão, um videocassete, um aparelho de ar-condicionado, um computador e um fax, para a cobertura de uma dívida que somava R$ 3.180,00. Os aparelhos de TV e o videocassete pertenciam ao ônibus que transporta os jogadores do Londrina nas viagens.
Outras 106 ações trabalhistas, que no total somam quase meio milhão de reais, estão tramitando. É certo que a qualquer momento ocorrerão outras penhoras, comprometendo ainda mais o já dilapidado patrimônio do Londrina Esporte Clube, para muita gente uma agremiação condenada à falência.
A idéia de fundar um novo clube para representar Londrina esbarra em obstáculos considerados intransponíveis, como a quase certa perda da vaga para o Brasileiro Série B e até para o Campeonato Paranaense. Outro problema que já se apresenta: o Estádio Vitorino Gonçalves Dias, cedido em comodato ao Londrina, terá que voltar ao Poder Público. Não é tão simples apagar a história de mais de quarenta anos e criar um novo clube. O advogado Mauro Viotto, um dos dirigentes da SAL, está viajando e só volta na segunda-feira. Com seu retorno, a sociedade que vem respondendo pela manutenção do futebol profissional na cidade deve assumir alguma posição jurídica. Se a SAL não conseguir provar que não é responsável pelas dívidas do Londrina, o mais provável é que ela desapareça. Mas os dirigentes ainda têm esperanças de solucionar as dificuldades: ‘‘Recebemos manifestações de toda a cidade. É gente que está preocupada com o futuro do futebol da cidade’’ - disse ontem o vice-presidente da entidade, Célio Guergoletto.
Por outro lado, o elenco que defendeu a camisa do Tubarão na Série B Nacional está totalmente desfeito. Ontem no final da tarde, faltava apenas a assinatura de Luis Carlos Oliveira para que as rescisões fossem completadas. A comissão técnica também está dissolvida.

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