Vanderbijlpark - Acostumado com o ambiente mais sisudo dos clubes europeus e da seleção da Inglaterra, que treinou por cinco anos, o sueco Sven-Goran Eriksson, sempre que perguntado sobre como é trabalhar na Costa do Marfim, destaca a felicidade que percebe nos jogadores. ''Nunca trabalhei com um grupo tão alegre. Estão sempre sorrindo, brincando. É algo diferente para mim, agradável'', afirmou. Ele admite ter sido conquistado pelo espírito dos atletas. E também conseguiu conquistá-los. Os jogadores dizem que o sueco fez algo que havia até quem considerassem uma missão impossível: fazê-los jogar como uma equipe.
A importância do treinador foi lembrada ontem pelo lateral Emmanuel Eboue. ''Agora somos uma equipe sólida, compacta'', disse. ''Adquirimos confiança, sabemos que podemos enfrentar qualquer adversário''. O jogador do Arsenal acredita ser possível bater o Brasil neste domingo, mas reconhece que o primeiro objetivo marfinense é se defender. ''Não somos nós que temos de atacar. A Costa do Marfim, hoje, tem consciência da importância de ser forte defensivamente''.
O volante Yayá Touré, do Barcelona, também vê no trabalho de Eriksson o maior motivo do crescimento da Costa do Marfim. ''Ele mudou nossa mentalidade. É difícil comandar a nossa seleção, mas ele está se saindo muito bem''. No início da fase de preparação para o Mundial, em maio, o Eriksson também reclamou do fato de os atletas ''não jogarem como uma equipe''.
Com muita conversa, vídeos e treinos técnicos e táticos, mudou o quadro. Ele assumiu em março, contestado por torcida e imprensa marfinense em função do alto salário - R$ 750 mil/mês até o fim da Copa e bônus generoso se obtiver bom resultado -, no lugar de Valid Halilhodzic. O bôsnio saiu atirando para todos os lados, acusando os jogadores de boicotar seu trabalho (disse que Drogba era o líderes dos ''conspiradores'') e de serem egoísta. ''Preocupam-se apenas com si próprios, a seleção, o país, não lhes interessa'', atacou à época.
Seu sucessor, porém, garante que jamais teve problemas de individualismo no grupo. ''Não sei o que acontecia antes da minha chegada. O que posso assegurar é que todos estão interessados e dispostos a se doarem para o bem da equipe''. O espírito descontraído dos jogadores não incomoda ao sueco. ''Quando é hora de trabalhar, eles são responsáveis, dedicados'', garantiu.

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