Quando se fala em futebol paranaense, logo se vem à cabeça os clubes-empresa. A cada Segundona disputada no Estado, vários times de empresários aparecem. Alguns não chegam nem a terminar o campeonato. Na Série Ouro, dos 16 clubes, cinco já estão nas mãos de grupos empresariais, além do Toledo, que briga na Justiça para ser incluído na competição.
  O time do Sudoeste disputa com a recém-criada Adap Galo o posto de principal força do interior em termos de estrutura e torcida. Ambos têm dinheiro para investir e estão se estruturando para isso.
  Na Região Metropolitana de Curitiba, o exemplo mais bem sucedido é o J. Malucelli. É patrocinado pelo Paraná Banco, que faz parte do grupo que dá nome ao time. Fundado em 1994 com o nome de Malutrom, entrou para o profissionalismo em 1998. Em 2000, foi campeão da Série C do Campeonato Brasileiro. Na capital do estado, possui um grande centro de treinamentos, com sete campos e alojamentos.
  Roma e Cianorte estão no bloco intermediário, sem tanto poder aquisitivo, mas com projetos ambiciosos. O time apucaranense nasceu em Barueri (SP), onde conquistou a Copa São Paulo de Juniores, em 2001, em cima do São Paulo de Kaká.
  Foi então que o time resolveu mudar de cidade, um dos problemas dos clubes-empresa, e veio parar em Apucarana. Aos poucos, foi conquistando espaço e se consolidou apenas em 2006, ao vencer a Copa 100 Anos e chegar à Série C do Brasileiro e à Copa do Brasil. A estrutura é modesta, contando com a ajuda de um ou outro empresário, sobrando o restante para o dono, João Vilson Antonini, o Kiko, que é proprietário de uma construtora em São Paulo.
  Já o Cianorte está nas mãos de quatro empresas – Morena Rosa, The Eight, ambas do setor textil, Avenorte, de propriedade do prefeito Edno Guimarães (PMDB), e BPM Fomento Mercantil.
  Aos poucos o clube vai se estruturando. Alugou um hospital desativado para abrigar os garotos da categoria de base, com vagas para quase 50 meninos e comprou um ônibus para viagens do time. O próximo passo é conquistar o tão sonhado Centro de Treinamentos (CT).
  Já o Nacional é o mais simples de todos e o que convive com a maior dificuldade financeira entre os principais clubes-empresa do Estado. O presidente José Danílson de Oliveira ainda não conseguiu identificar os benefícios e os prejuízos da opção empresarial. ‘‘Tem gente que acha que é bom, outros não. Eu não sei. A nossa dificuldade seria a mesma se fôssemos um clube normal pelo porte da nossa cidade’’, disse Danilson, que também é presidente da Câmara de Vereadores de Rolândia.
  Ele não pensa em grandes investimentos, pelo menos por enquanto. ‘‘O retonro no futebol é lento e às vezes nem vem’’, apontou. (T.M.)

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