AMARELOU!
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quarta-feira, 27 de setembro de 2000
Janaina Tupan Frare Enviada da Folha a Sydney 
Brasileiros e argentinos já se enfrentaram 21 vezes desde que Radamés Lattari assumiu a seleção em 1996 e nunca os brasileiros haviam perdido. A primeira derrota chegou na hora errada. Os brasileiros perderam por 3 sets a 1 (parciais de 25/17, 21/25, 19/25 e 25/27), ontem, justamente nas quartas-de-final dos Jogos Olímpicos de Sydney. O mais próximo que os brasileiros conseguiram chegar da medalha olímpica, em Sydney, foi da disputa do quinto lugar contra Cuba.
A Argentina enfrentará a Rússia nas semifinais, que terão também Itália e Iugoslávia. Esses jogos serão disputados na madrugada de sábado.
Para Giovane, um dos remanescentes da geração de ouro (Barcelona-92), o que gerou a derrota foi justamente o medo de perder. Este medo fez com que a gente não revertesse no segundo set uma situação técnica que foi encontrada. Não conseguimos mais bloquear e sacar como fizemos no primeiro set e o time ficou acuado. O outro time estava jogando mais leve, sem muita responsabilidade e conseguiu anular o Brasil. Segundo o jogador, o que faltou foi paciência para suportar um momento difícil.
Com a derrota, o choro. Nalbert, que ficou de fora da partida por uma contusão muscular nas costas, não escondia a emoção. Ao ser abraçado pelo atacante argentino Marcos Milinkovic, maior pontuador da partida, não conteve o choro. A gente sempre soube que seria um jogo equilibrado, como foram todos os outros. Mas a gente queria muito a medalha, disse o jogador.
Dante também não escondeu as lágrimas. A Olimpíada acabou em cima de mim. Para fechar o jogo, Maurício levantou a bola para Dante, que não conseguiu passar pelo bloqueio de Milinkovic. Para Radamés, a culpa não foi de Dante. Qualquer um que atacasse poderia errar. A primeira bola errada tem o mesmo peso da última. A gente perdeu o jogo, mas não foi por causa do último ponto.
Radamés, que tem um acordo verbal com a Confederação Brasileira de Vôlei, deve encerrar a sua carreira na seleção após a Olimpíada. Nunca quis assinar um contrato. Assumi a seleção para um ciclo olímpico, que acaba este ano. O que vai acontecer daqui pra frente, eu não sei.
O treinador da seleção brasileira de vôlei masculino disse que só não conseguiu atingir um de seus objetivos iniciais. Durante quatro anos o Brasil sempre esteve entre os cinco melhores em todas as competições que participou. Sempre esteve entre os primeiros do ranking mundial. Temos jogadores novos e conseguimos recuperar o entusiasmo dos veteranos. Só sinto muito não ter vencido o jogo que nos levaria para a semifinal olímpica. Infelizmente as coisas só são reconhecidas se dão resultados. E aqui não deu.


