AMADOR- CLÍNICA
Circuito de beisebol passa por Londrina
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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Micaela Orikasa<br> Reportagem Local 
Não era uma peneirada para selecionar os melhores jogadores, mas é claro que todos queriam mostrar um bom desempenho. Afinal de contas, não é sempre que técnicos da Major League Baseball (MLB), a liga profissional da América do Norte, aterrissa aqui em Londrina.
Os técnicos Elias Sosa e Jay Quinn e o brasileiro Tiago Caldeira passaram a manhã de domingo na Associação Cultural e Esportiva de Londrina (ACEL) em campo com mais de 50 crianças entre 7 e 14 anos, das cidades de Londrina, Maringá e Nova Esperança (Noroeste). Eles vieram com a bagagem direcionada para a técnica básica, mas com o olhar voltado para o futuro.
"Estamos investindo no Brasil porque queremos ter jogadores de todo o mundo em nossa Liga, mas principalmente brasileiros, que vêm demonstrando muita força na modalidade", explica Elias Sosa, que não deixava de elogiar o esforço de cada um.
Apesar de não ser uma triagem para selecionar os melhores, os técnicos estavam de olho nas futuras promessas, como Gabriel Henrique Maciel, de 15 anos. "Meu sonho é crescer e chegar na Major League", revela o londrinense, que há um ano está morando em Ibiúna (SP), onde funciona a Academia de Beisebol, com 35 internos.
Gabriel é do time do Londrina Beisebol e já conquistou título de "melhor jogador" em campeonatos regionais e estaduais. "Comecei a jogar porque um vizinho me trouxe para ver uma partida de beisebol. Gostei e passei a praticar desde os 8 anos", conta.
São histórias como a de Gabriel que a turnê de beisebol promovida pelo Consulado dos Estados Unidos em São Paulo, Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol e MLB espera construir nas sete cidades brasileiras que percorrerá até 18 de janeiro.
Segundo o presidente da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol, Jorge Otsuka, essa parceria começou há dois anos com o objetivo de incentivar as crianças brasileiras a praticar o esporte. "A ideia é fazer do beisebol um instrumento social. E a presença desses técnicos é justamente para motivá-las", afirma.
As clínicas de beisebol incluem fundamentos básicos como rebatida, arremesso, defesa e corrida, além de atividades educacionais sobre oportunidades nos EUA associadas ao esporte. Além de Londrina, também receberão a turnê, as cidades de Presidente Prudente, Tupã, Marília, Lins, São José dos Campos e São Paulo.
"Londrina é muito forte em beisebol e achamos que, através do esporte, conseguimos um engajamento muito positivo com a juventude brasileira. Mas muito mais que a prática, queremos trazer uma mensagem de educação e de oportunidades", diz Danna Van Brandt, adida cultural do Consulado Americano em SP.
O técnico brasileiro Tiago Caldeira esteve em Londrina na primeira clínica da MLB, em 2011. Na oportunidade, foram atendidos mais de 600 jovens em seis cidades. "Voltamos este ano e percebemos um desenvolvimento muito grande desses meninos. Eles evoluíram e estão mais animados com a prática. A modalidade ainda é pouco conhecida no Brasil, mas ao longo do tempo vem sendo mais divulgada e procurada, inclusive pelos não descendentes de japoneses", ressalta.
Londrina já sediou dois Mundiais de Beisebol e um Pan-americano e segue como polo formador de atletas. "Gosto muito de jogar. Quando eu crescer quero ser profissional", conta Henrique Tano, de 9 anos, que apesar de estar no começo já sonha como todas as crianças que estiveram em campo ontem. Para elas, o beisebol vai além do taco, das luvas e da bola. É um sonho que se constrói em equipe.
Inclusão
Há 26 anos, estudantes carentes de Londrina têm a oportunidade de praticar o beisebol. Através do projeto "Beisebol nas escolas municipais", elas aprendem a modalidade e, se demonstrarem habilidade e interesse em treinar, passam a frequentar os campos da Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel), no Limoeiro (zona sul).
As aulas acontecem na quadra de esportes da Escola Municipal do Conjunto Farid Libos (zona norte) e participam cerca de 180 crianças a partir de 9 anos. O projeto é do Instituto de Educação Cultura e Esporte (Iece), coordenado por Pedro Noboru Bando. "Atuamos dentro da Acel como uma entidade sem fins lucrativos. Nossos custos são provenientes de recursos públicos, em um convênio com a prefeitura municipal", explica.
O "Beisebol nas escolas municipais" já revelou talentos como o próprio Gabriel Maciel, do time do Londrina Beisebol. "Eu não tinha condições de pagar pelas aulas e entrei para o projeto. Foi uma grande oportunidade", diz.


