Belo Horizonte, 12 (AE) - A forma como o time foi derrotado no Mineirão causou um profundo malestar entre os jogadores corintianos, especialmente no lance do segundo gol, quando o técnico Oswaldo de Oliveira, mesmo a pedido de Rincón, demorou demais para substituí-lo. Ao descer as escadarias do estádio em direção ao vestiário, o meia Ricardinho fez o primeiro desabafo ao volante Vampeta: "Com três gols entregues de mão beijada, não tinha jeito mesmo".
A crítica não foi informal, mas não teve como escapar do conhecimento dos repórteres, ali tão perto. Depois do banho, no entanto, os jogadores não mudaram de opinião. "Aquele primeiro gol, principalmente, desabou a nossa equipe", disse Vampeta. "Treinamos a semana inteira a marcação dessa jogada deles e acabamos tomando os três gols da mesma forma".
Apesar dos 3 a 2, Vampeta não perdeu as esperanças do bicampeonato. "Com todos os erros que cometemos, principalmente no primeiro tempo, acho que o Corinthians tem todas as condições de reverter a situação já no próximo domingo".
Decididos a não comentar o caso Rincón, até para preservar o companheiro e o técnico Oswaldo de Oliveira, os jogadores respondiam de uma forma totalmente diferente qualquer pergunta sobre a contusão do colombiano. "Não foi isso que determinou a nossa derrota", disse o volante Gilmar. "O maior problema do time é que nós jogamos sem garra no primeiro tempo. Deixamos o Atlético tomar conta do jogo, e quando tentamos reagir, o máximo que conseguimos foi diminuir a diferença de gols, o que pode ser importante nos próximos dois jogos. É claro que dá para reverter a situação em São Paulo, mas sabe como é, não dá para sair daqui contente com um um jogo que tínhamos tudo para vencer e acabamos perdendo".
Considerado o melhor jogador do time ao lado de Vampeta, o meia Ricardinho, que saiu de campo lamentando as falhas de marcação, depois do banho preferia usar palavras mais otimistas. "Não há motivos para desespero, até porque o time mostrou que poderia sair daqui com uma vitória no segundo tempo. Só acho que no jogo de volta, não podemos repetir as mesmas falhas de hoje".
Já o técnico Oswaldo de Oliveira optou por uma posição ainda menos ousada. "Se o Atlético-MG ganhou hoje, no domingo o Corinthians também pode vencer em São Paulo". O treinador corintiano justificou as falhas da equipe lembrando que foi obrigado a mudar três posições só na defesa. "Apesar de todo o trabalho que fizemos durante a semana, é normal que a equipe tenha sentido as modificações".
Para o jogo de volta, em São Paulo, Oswaldo espera poder contar com pelo menos dois jogadores de defesa: Índio, com uma contratura muscular na coxa esquerda, e João Carlos, com um edema no músculo da coxa direita. O terceiro contundido, Nenê, que sofreu uma fratura na oitava costela, deverá passar por uma nova radiografia na quarta-feira, mas seu arpvoeitamento parece inviável. "Ainda é muito cedo para pensar na equipe", desconversou o treinador.
Quanto a troca de Kleber por Augusto, Oswaldo afirmou que sentiu o titular um pouco cansado no primeiro tempo. O próprio jogador confirmou as palavras do técnico. "No final já estava mesmo sentindo um pouco, foi melhor mesmo dar lugar para o Augusto".
Já entre os dirigentes, a única preocupação era não falar sobre contratações - Adílson e André Luiz. Ninguém quis confirmar as negociações oficialmente, mas em Belo Horizonte não é mais segredo para ninguém que o lateral do Cruzeiro viajou para a Espanha - onde já está o diretor de futebol José Roberto Guimarães - para convencer o Tenerife a diminuir o preço de seu passe, estipulado em U$. 7 milhões. Já em relação a Marcelinho, o supervisor Wílson Santoro apenas confirmou aquilo que já estava acertado há três meses entre Dualib e Faráh: o passe do jogador não pertence mais à FPF.

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