As Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) criadas na Câmara e no Senado deverão trabalhar paralelamente sem que haja prejuízo para as investigações. A opinião é do criador da comissão no Senado, senador Álvaro Dias (PSDB-PR). ‘‘O importante é que, ao serem feitas investigações idênticas, os resultados não sejam conflituosos’’, argumentou.
Dias afirmou que a comissão do Senado deverá definir presidente e relator até a próxima semana. Para ele, os primeiros depoentes deverão ser o ex-técnico da seleção brasileira, Wanderley Luxemburgo (foto), e sua ex-procuradora e ex-secretária particular Renata Alves.
Renata Alves, que trabalhou com Luxemburgo na compra de carros e imóveis, acusou seu ex-patrão, entre outras coisas, de sonegação fiscal e de receber dinheiro na transação de jogadores. Luxemburgo foi demitido na última segunda-feira do cargo de técnico da seleção.
Na Câmara, a CPI que deverá ter como mote o contrato CBF-Nike foi criada nesta quinta-feira, mas a maioria dos partidos ainda não indicou os membros. Apenas indicaram os nomes dos parlamentares o PDT, PL e PPS. O prazo pelo regimento é que as 17 indicações sejam feitas até esta sexta-feira.
No Senado, apenas o PMDB, o PSDB e o bloco de oposição já escolheram os senadores que os representarão na CPI do Futebol. A presidência poderá ficar com Dias, por ele ser o autor do requerimento de criação da comissão.
O senador também afirmou que a CPI do Futebol poderá ter 13 em vez de 11 titulares, como é comum nas CPIs. ‘‘Assim, a relação das forças partidárias na CPI ficaria mais equilibrada’’, acredita Dias.
Para ele, a presença do senador Maguito Vilela (PMDB-GO) já confirmada na comissão não trará mal-estar. Vilela foi ex-presidente da CBF no centro-oeste de 1996 a 1998. ‘‘Foi o próprio senador Vilela quem pediu, o que demonstra sua responsabilidade pública e compromisso com a transparência’’, disse. ‘‘Não se pode dizer o mesmo da CBF nacional, que não acolheu bem a idéia da CPI’’.
As principais atribuições da CPI do Senado são investigar a sonegação de recolhimento de contribuições da previdência social por clubes de futebol; irregularidades na transferência de passes de jogadores que, segundo Dias, de 1992 a 1998 movimentou cerca de US$ 100 milhões ‘‘sem que 1% tenha ficado no País’’; sonegação de pagamento de imposto de renda por clubes, jogadores e técnicos de futebol; e possíveis irregularidades envolvendo clubes de futebol e bingos.
De 11 para 13 – A CPI do Senado criada para investigar denúncias de irregularidades no futebol brasileiro deverá ter seu quadro ampliado de 11 para 13 senadores e poderá ouvir em primeiro lugar a ex-secretária do treinador Wanderley Luxemburgo, Renata Alves. As duas propostas são do autor do requerimento que criou a CPI, senador Álvaro Dias (PSDB-PR). ‘‘Devemos ouvir em primeiro lugar quem está fazendo as denúncias mais recentes’’, opinou o senador. A CPI deve começar a trabalhar dentro de duas semanas.
Renata denunciou supostas irregularidades na negociação de passes de jogadores. A CPI deverá investigar não apenas a sonegação de impostos e contribuições, mas também fraudes cambiais, lavagem de dinheiro e até irregularidades nas vendas de ingressos nos estádios, que levantam suspeitas sobre a arrecadação de muitos jogos. ‘‘A rejeição à transparência é um sério sintoma’’, comentou o senador, criticando a resistência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em aceitar a fiscalização externa, seja de uma CPI ou de outras instâncias.
Dias argumenta que as irregularidades no futebol provocam ‘‘subtração de recursos públicos’’ e estão sujeitas à investigação parlamentar, apesar da interpretação contrária de alguns ‘cartolas’. ‘‘Essa discussão está encerrada, pois a CPI já está criada’’, comentou Dias.
O aumento do número de senadores na CPI foi solicitado pelo PT, que quer ter um segundo representante na comissão. Para que este pedido seja atendido, terá que haver também o ingresso de um quinto senador do PMDB, para que seja mantida a proporcionalidade com as bancadas no Senado.
Integrantes – Os senadores já indicados para a CPI são os seguintes: PMDB - titulares: Maguito Vilela (GO), Gilvan Borges (AP), Renan Calheiros (AL) e Gilberto Mestrinho (AM); suplentes - Ney Suassuna (PB), Gerson Camata (ES) e Agnelo Alves (RN). PFL - não indicou seus quatro representantes. PSDB - titulares: Álvaro Dias (PR) e José Roberto Arruda (DF); suplente - Antero Paes de Barros (MT). Bloco Oposição - titular: Sebastião Rocha (PDT-AP).

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