A suspeita de crimes contra a ordem tributária e contra o sistema financeiro foi apontada ontem pelo presidente da CPI do Judiciário, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), como justificativa para o pedido de quebra do sigilo bancário e fiscal do Flamengo e de seu presidente, Edmundo dos Santos Silva, e do ex-presidente do Botafogo Carlos Augusto Montenegro. Dias se referiu a esses nomes, da tribuna do Senado, porque foram os únicos que até agora recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) para cassar a iniciativa da CPI.
O senador disse que vai tornar público os motivos que justificaram o pedido de abertura de contas toda vez que um dos atingidos recorrer ao Judiciário para inviabilizar a iniciativa da comissão. Por ora, o Flamengo, Edmundo e Montenegro, dono do instituto de pesquisa Ibope, foram favorecidos por liminares concedidas pelo presidente do STF, ministro Carlos Velloso.
Para Álvaro Dias, há motivos de sobra para aprofundar as investigações sobre transações feitas por Edmundo e pelo ex-dirigente do Botafogo. Segundo ele, processo que está em curso no Banco Central por evasão de divisas atinge em cheio a gestão de Carlos Augusto Montenegro. Ele teria omitido os valores obtidos na negociação dos jogadores Sérgio Manoel, Flávio Rego, Marcos Marvila, Júlio César, Beto, Donizete e Narciso.
Álvaro Dias disse que Montenegro ‘‘não conseguiu, sequer, ter as contas aprovadas pelo conselho fiscal do clube’’. Além de Botafogo e Flamengo, outros 20 clubes são alvos de processos instaurados pelo Banco Central.

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