A escola tinha os alunos, a prefeitura tinha o campo à disposição e o clube de golfe uma grande vontade de popularizar o esporte na cidade. Os envolvidos decidiram juntar esses três ingredientes e criaram o projeto ''Golfe nas Escolas'', lançado ontem no Centro Esportivo Castelo Branco, em Cambé, que envolverá inicialmente 61 crianças e adolescentes de 10 a 16 anos do Colégio Estadual Andréa Nuzzi, localizado no Jardim Santo Amaro.
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O projeto, de iniciativa do Londrina Golf Club, que apesar do nome fica situado no Patrimônio Bratislava, em Cambé, era um desejo antigo dos diretores da agremiação, que queriam vê-lo implantado nas escolas de Londrina, por meio de uma parceria com a Fundação de Esportes (FEL). Como a idéia não foi acolhida por Londrina, o prefeito de Cambé, Adelino Marconar (PMDB), decidiu este ano abrir as portas ao projeto em seu município.
E a parte da prefeitura é a mais fácil: disponibilizar um dos quatro campos de futebol do Castelo Branco para as aulas à garotada, que acontecerão às segundas e quintas-feiras, de manhã e à tarde. Os 61 iniciantes serão divididos em duas turmas e aprenderão os fundamentos do golfe sempre no contraturno fora do horário de aula.
À escola caberá o trabalho de seleção e acompanhamento dos alunos que foram premiados com as aulas. E o Londrina Golf Club é que colocará a mão na massa, cedendo os instrutores (inicialmente serão seis) e todo o equipamento (tacos e bolas) para o aprendizado dos alunos. Ontem aconteceu o primeiro contato dos adolescentes com o novo e desconhecido esporte.
As primeiras instruções foram dadas pelo capitão do Londrina Golf, Hélio Shibukawa, que antes do início da solenidade conversou com a garotada sobre os princípios do golfe. Diante dos olhares atentos dos alunos e auxiliado por um atleta veterano, o diretor de patrimônio do clube, Taketoshi Miyamura, 68 anos, Shibukawa contou que em primeiro lugar é preciso segurar corretamente o taco e aprender a forma de bater na bola. ''Aqui não adianta usar a força, é jeito. Quanto mais bravo o cara fica, mais tende a bater forte na bola. Daí ela sai fraca e não vai onde ele quer'', ensinou.
Aos poucos foram chegando para a aula inaugural o presidente do Londrina Golf, Bruno Veronese, o prefeito de Cambé e seus secretários José Fernandes (Esportes), Luís Roncon (Ação Social) e Cleusa Forastieri (Educação), além do diretor do Colégio Andrea Nuzzi, Jorge Pereira.
Súplica Após os discursos, enfim a tão esperada aula prática. O primeiro a receber orientações foi Felipe Ramos, 11 anos. Depois de ensaiar as primeiras tacadas ele contou à reportagem que achou interessante. ''Nunca pensei que um dia ia fazer isso'', disse o garoto, cujo pai é pedreiro e a mãe, artesã. ''Gosto muito de futsal, mas vou tentar aprender tudo o que ensinarem aqui'', complementou.
O critério utilizado para a seleção dos alunos foi o bom comportamento em sala de aula. Como apenas 60 foram ''premiados'', Kaio Kubaski Luccas, 11, acabou ficando fora da lista. O garoto esperneou, reclamou e sua súplica chegou aos diretores do Londrina Golf, que decidiram abrir uma exceção. ''Ele gosta de participar de tudo o que aparece. E como era uma oportunidade de aprender golfe de graça ficou muito entusiasmado. Que bom que foi atendido'', comemorou a avó, Bernarda Kubaski.

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