Porto Alegre, 01 (AE) - A cada jogo de Gustavo Kuerten, os 305 alunos da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Florianópolis sorriem. Primeiro, porque Guga, um dos esportistas de maior destaque do País no momento, é também o herói deles. Segundo, porque a cada jogo Guga ajuda a ampliar a assistência a essas pessoas, portadoras de alguma deficiência mental. Toda vez que joga, o tenista envia à Apae um cheque de US$ 500. Do total, Guga contribui com US$ 200. O restante vem da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP) e de dois patrocinadores do tenista, a Renault e o Banco Real. Desde o ano passado, o auxílio já rendeu R$ 51, 5 mil, segundo as contas da Apae.
"Todos os alunos têm uma foto autografada do Guga, todos o adoram", diz Zena Becker, presidente da Apae de Florianópolis. Eles assistem aos jogos pela televisão e, quando o horário não permite, um professor grava a partida e depois todos assistem e torcem juntos. "Eles não têm muita noção do jogo, mas torcem e o reconhecem", diz a Zena.
O tenista é um velho conhecido da Apae. Sua mãe é vice-presidente e seu irmão, um dos alunos. "Todos conhecem o Guga desde pequeno", diz a presidente. "Quando está em Florianópolis, ele vem buscar ou trazer o irmão e aparece nas festinhas."
Os depósitos, que começaram a ser feitos no ano passado, serão utilizados na construção de seis "lares", um projeto que nasceu de uma idéia de Guga e de sua mãe, Alice. Cada casa terá 130 metros quadrados, quatro quartos e três banheiros, uma "mãe social" contratada e abrigará seis deficientes - pessoas idosas ou que perderam as famílias e não têm onde morar. Dessa forma, terão condições de continuar recebendo o tratamento necessário durante o dia na Apae. Todas as casas serão construídas no terreno em que está a sede da entidade. A primeira delas já começou a ser erguida, a um custo estimado em R$ 35 mil.

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