Alternância no poder pode ser positiva
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Thiago Mossini<br>Reportagem Local 
Medalhista olímpico e empresário de sucesso, Gustavo Borges foi um dos ex-atletas que apoiaram o movimento para acabar com a perpetuação de cartolas nas confederações esportivas. Agora, com a limitação em no máximo dois mandatos por dirigente, o ex-nadador acredita que a alternância no poder pode ser positiva para o esporte brasileiro.
A Medida Provisória (MP) 620/2013 foi aprovada no mês passado e é encarada como uma revolução positiva na gestão das entidades esportivas no Brasil, já que além de acabar com as dinastias nas modalidades, exige mais transparência nas gestões, com regras rígidas para as instituições que recebem dinheiro público. O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzmann, é um exemplo de perpetuação. É dirigente esportivo desde 1973, primeiro no vôlei, e desde 1995 no COB, de onde não pretende sair tão cedo.
"A alternância de poder é um quesito muito importante. É quase que uma penalização para quem está fazendo um trabalho bem feito a longo prazo. Mas a política esportiva vai ter uma novo caminho. A forma de se trabalhar e conquistar eventos grandes vai ter modelo diferente. Acredito que a alternância nas pessoas que estão à frente do esporte nacional vai ser positivo. Claro que espero que pessoas boas venham a fazer parte desse quadro, para que possam realmente fazer um trabalho adequado e conseguir trazer resultados para as confederações. O caminho é esse", afirmou Borges, que esteve em Londrina na semana passada para as festividades de cinco anos da academia que leva seu nome.
Jogos Olímpicos
Ele também aponta fatores importantes que o país pode conquistar com a realização dos Jogos Olímpicos de 2016. "É uma mistura de fatores importantes para o esporte nacional. A primeira é a infraestrutura no Rio de Janeiro, que vai ter um salto nas áreas olímpicas. Algumas coisas vão ficar para nós, outras não. Mas vamos ter Olimpíada com estrutura que são das melhores do mundo. Já na infraestrutura geral do país ainda está caminhando devagar, dá para evoluir muito", apontou.
Borges vê uma motivação maior por parte dos atletas, até pelo investimento que está sendo feito neles, também maior, e aponta outros fatores animadores, principalmente para a natação. "Temos o talento esporádico, além da produção natural de atletas e resultado ao longo dos anos. De 2000 para cá, a natação evoluiu muito, tem mais estrutura, atletas mais confiantes, com resultados. Teremos dois medalhistas que irão estar presentes em 2016 (Thiago Pereira e César Cielo)", apontou.
Mas essa evolução toda ainda é modesta entre as mulheres. Na maratona aquática, com Poliana Okimoto, o Brasil vem se destacando, mas nas piscinas, a participação das mulheres ainda é muito modesta. "A gente sempre escuta isso porque a natação masculina sempre teve ícones. A referência feminina a gente teve a Maria Lenk, mas que mais recentemente a gente nunca teve alguém que pudesse dar essa confiança para as meninas de que é possível. Na maratona, hoje, a gente tem e acho que isso pode interferir dentro da piscina", analisou.
Entre as promessas para os próximos ciclos olímpicos, Borges ressaltou Matheus Santana, de 17 anos. "Um nadador extremamente talentoso, rápido, que está evoluindo, um bom nome para 2016. No entanto, o fato dele nadar bem hoje não significa que ele vai estar em 2016. Mas ele, sem dúvidas, sai como uma pessoa que pode estar lá e ser o representante da nossa natação", apontou.


