Alterações geram polêmicas
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segunda-feira, 17 de julho de 2000
Agência Estado De São Paulo 
As alterações na Lei Pelé, sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso na última sexta-feira, com três vetos, são um retrocesso na opinião do consultor esportivo do Sport Recife, Antônio Afif. Isto porque a lei foi sancionada sem veto ao artigo 27, que impede as empresas de controlar o departamento de futebol de um clube. Segundo ele, isso é um retrocesso perigoso para o profissionalismo no futebol. Entende que as empresas ficariam temerosas em investir em um esporte sobre o qual não teriam controle.
Estou percebendo que muitas empresas já estão desistindo de investir no Brasil e concentram-se agora em outros mercados, como o argentino, frisou. Afif observou que o início da profissionalização, que se deu por meio da entrada de grandes parceiros como a Hicks Muse Tate & Furst, a ISL e o Bank of America na administração de clubes como o Corinthians, Flamengo e o Vasco, será interrompido com a adoção da nova lei. Estas parcerias ainda não significam a plenitude do profissionalismo e um segundo passo, que seria a transformação dos clubes em S.A., praticamente fica inviável.
Os parceiros atuais também podem rever seus planos de investimento. Afif ressaltou que a lei, na prática, vai continuar dando poder de decisão aos dirigentes. Justamente a quem, ao longo dos anos, não conseguiu fazer do futebol um investimento viável, causando apenas dívidas, disse.
O consultor rebateu o argumento do dirigente vascaíno Eurico Miranda, que afirmou que boa parte das dívidas dos clubes ocorreu em função da necessidade de cobrir os gastos em departamentos amadores.
Mistura explosiva é como o economista Edgar Diniz, da TopSports, define o atual momento do futebol, que soma a indefinição sobre o campeonato brasileiro com a proposta de mudança da Lei Pelé. Restringir o controle do clube a empresas em 49%, como determina a lei, não significa dar poder aos dirigentes, como eles próprios pensam, afirmou Edgar. Na avaliação do economista, isso é uma forma disfarçada de dizer não aos investimentos. Os dirigentes não vão ganhar poder, como pensam, mas sim perder poder, financeiro.


