São Paulo, 08 (AE) - O alpinista carioca Vinícius Nery, de 24 anos, que em 1997 chegou ao topo do Kilimanjaro, na Tanzânia, parte neste fim de semana para o Aconcágua, na Argentina, o segundo passo do Projeto 7 Cumes, que visa a escalada das maiores montanhas de cada continente. São elas: Kilimanjaro, áfrica (5.895 m), Everest, ásia (8.848 m), Aconcágua, América do Sul (6.950 m), Elbrus, Europa (5.642 m), Mckinley, América do Norte (6.194 m), Carstensz, Oceania (4.884 m) e Vinson, Antártida (5.138 m).
"Estou escolhendo as montanhas de acordo com o nível técnico e as condições financeiras, começando pelas mais fáceis e baratas", conta Nery. Segundo o alpinista, o divisor de águas em sua carreira foi a conquista do Kilimanjaro. "Não fiz aclimatação, cheguei a ingerir apenas 300 mililitros de água por dia por falta de infra-estrutura e acabei sofrendo as consequências, chegando a desenvolver um edema cerebral que me causou vômitos de sangue pelas narinas", relembra.
"Atualmente sei como fui inconsequente; as montanhas estão lá para serem escaladas de maneira segura." Além do Kilimanjaro, o alpinista soma outras conquistas importantes. "Escalei os vulcões Arenal, Irazú e Rincón De La Vieja, na Costa Rica, e percorri o deserto da Patagônia em 45 dias, terminando a aventura com a escalada do Hansey, na Terra do Fogo."
Para Nery, os grandes perigos do Aconcágua, seu próximo objetivo, são as "neves de março", que devem ser evitadas a todo custo, e a descida em zigue-zague coberta por neblina, responsável por 40% das mortes no local. "Por isso, partirei no próximo fim-de-semana e pretendo chegar ao cume no dia 28", explica. "Inicialmente caminharei 48 quilômetros até a base, onde, passarei entre três e cinco dias, fazendo aclimatação." A escalada deve durar 10 dias.
Para evitar os edemas, o alpinista vem fazendo dieta. "Me utilizo muito da força e na hora do ataque ao cume quero estar com 93 quilos, meu peso ideal", diz. "Por isso, devo chegar à base da montanha com 97 quilos, pois, até o pico, perderei quatro quilos", planeja.
Para a expedição, Nery e seus patrocinadores vão desembolsar US$ 5 mil. Para o Kilimanjaro, gastamos US$ 4,5 mil, sendo que só a passagem custou US$ 1,8 mil, lá comi macarrão duro por dias", lembra.