São Paulo - O alpinista campineiro Vitor Negrete, 38 anos, morreu ontem após chegar ao topo do Monte Everest. O brasileiro foi socorrido por outros alpinistas na trilha de volta na face norte, a 8,3 mil metros, a cerca de 550 metros do topo. Ele atingiu seu objetivo, que era ser o primeiro brasileiro a completar a escalada sem a ajuda de cilindros de ar suplementares. Na descida, teria pedido ajuda através de rádio no Acampamento 3, localizado a 7,7 mil metros. Ele chegou a ser resgatado vivo, mas não resistiu aos processos de reanimação.
  O seu companheiro do Brasil, Rodrigo Ranieri, não estava em boas condições físicas e não tentou o ‘‘ataque’’ ao cume, após a primeira tentativa e ficou num acampamento a 5,2 mil metros. Raniere iria subir ao Acampamento 3 para dar o último adeus ao amigo. Segundo especialistas, o desgaste excessivo teria sido responsável pela morte de Negrete.
  Em Campinas (interior de São Paulo), Negrete deixa a esposa Marina e os filhos Leon, de dois anos, e Davi, de nove meses. Praticante do esporte radical há 15 anos, Negrete também era pesquisador do Núcleo de Pesquisa Alimentar da Unicamp.
  Negrete é o brasileiro que escalou o Aconcágua, na Argentina, pelo maior número de vias. Ao lado de Raineri, formou a primeira e única dupla brasileira a escalar a Face Sul do Aconcágua, considerada a mais difícil e perigosa. A dupla também foi a primeira a escalar a Rota Noroeste do Aconcágua em pleno inverno.
  Desde 1953, cerca de 1,4 mil alpinistas de todo o mundo escalaram o Everest. Na tentativa, 175 morreram. Em maio de 1995, a expedição Waldemar Niclevicz e Mozart Catão fincou pela primeira vez a bandeira brasileira no ponto mais alto do planeta. Dez anos depois, Niclevicz e Irivan Burda conquistaram a montanha pela face sul, chegando quase ao mesmo tempo que Vitor Negrete, que foi pela face norte, considerada mais difícil.

  Enterro – O corpo de Vitor Negrete terá que ser enterrado na própria montanha. Como a morte ocorreu na face norte, que fica no território da China, o uso de helicóptero para a remoção do cadáver é proibida pela lei do país asiático. Diante deste problema, o sepultamento terá que ser próximo do local que serve como o último acampamento, a 8,3 mil metros de altitude, antes do pico do Everest – 8.844 metros.
  Por não ter condições físicas de passar dos 5 mil metros de altitude, Raineri – companheiro de Negrete na expedição – ficou no acampamento 2 e só poderá chegar ao local onde está o corpo do amigo no início da próxima semana para realizar o enterro.

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