Rio, 25 (AE) - As supostas agressões verbais do técnico de basquete Marcel de Souza ainda estão na memória do jogador Almir
do Flamengo, que o acusa da prática de racismo e garantiu hoje que não desistirá dos processos criminal e cível contra o treinador do Pinheiros. "Eu não vou voltar atrás, agora eu só me entendo com o Marcel na Justiça", completou. O vice-presidente jurídico do Flamengo, Júlio Gomes, entrou hoje com uma ação cível por danos morais contra Marcel. Ele pede uma indenização de 5 mil salários mínimos, o equivalente a R$ 650.000.
O valor foi determinado pelo Departamento Jurídico do Flamengo. O dirigente já move ação criminal contra o técnico. Almir voltou hoje a lembrar do momento em que se desentendeu com Marcel. "Só quem já foi agredido assim sabe como é", afirmou. "Na hora eu fiquei chocado, sem reação", contou, referindo-se ao episódio do dia 14, quando Marcel o teria chamado de "crioulo" e "macaco" durante o jogo Flamengo x Pinheiros, pelo Campeonato Nacional de Basquete, no ginásio do Maracanãzinho.
Almir disse que vem sofrendo pressões para desistir dos processos.
"Até o Oscar me ligou para dizer que o Marcel estava de cabeça quente." Segundo o jogador, discussões em quadra são comuns, "mas nunca tinha sido agredido daquela forma". Ele deu essas declarações durante encontro com o secretário-executivo do Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), Ivanir dos Santos, de quem recebeu a promessa de apoio jurídico e político no andamento dos processos contra Marcel.
Santos, que também é subsecretário estadual de Direitos Humanos e Cidadania, disse que fez questão de entrar em contato com o Flamengo quando soube do caso. Para Santos, Marcel deveria ter sido preso na hora. "O CEAP participa de qualquer ação que envolva racismo contra negros", afirmou. O CEAP, uma organização não-governamental, existe há dez anos.
No encontro, Santos propôs a Gomes que o Flamengo convocasse a torcida a participar de uma campanha contra o racismo. "O Flamengo deve incluir o tema em uma outra campanha contra a violência que o clube está planejando para o futuro", ressalvou o dirigente.

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