Enganam-se os que pensam que o risco está presente em todos os esportes radicais. Com a evolução deste tipo de modalidade, o investimento das empresas da área foca-se na segurança e no conforto de seus praticantes. Os atletas mais experientes – e, consequentemente, mais corajosos – buscam na aventura vivenciar a adrenalina e o perigo de perto, muitas vezes por imprudência, correndo riscos desnecessários. A regra mestra entre estes esportistas é a de conscientizar-se dos limites de cada um – e respeitá-los.
Mas também estão os que desfrutam o contato com a natureza de forma mais amena e saudável, possibilitando, muitas vezes, a integração da própria família no esporte, numa aventura sem maiores riscos.
O off road é um exemplo disso. É um esporte que pode ser praticado em diferentes níveis de dificuldade: desde o radical Rally Paris-Dakar, ou mesmo no Brasil, o recente Rally dos Sertões, até um passeio feito em família em trilhas menos arriscadas. É cada vez maior o número de famílias adeptas a este esporte.
Com um jipe no Paraná não é necessário ir muito longe. Em nosso estado existem lugares maravilhosos que merecem ser explorados. Não importa o clima. Se tiver sol, ótimo. Se chover... Melhor ainda! Com a água, os obstáculos aumentam, tornando o desafio ainda mais saboroso. Luis Carlos Zettel, um dos organizadores da aventura de hoje, garante que quanto mais lama, buracos, cascalhos, galhos, pedras e chuva, melhor. ‘‘A superação dos obstáculos, testando a resistência da máquina, e principalmente a do próprio jipeiro, é o que conta para considerarmos um bom passeio’’, diz ele.
Desta vez acompanhamos um off road feito pela Turma do Niva, um grupo de pilotos curitibanos que formou-se com a disposição de encarar os desafios das trilhas em família, na Serra do Quiriri, que fica em Santa Catarina, sobre a divisa com o Paraná, ao lado da cidade de Garuva. Um lugar mágico de vales cortados por riachos cristalinos, de paisagens de montanha e de exuberante verde.
A caravana composta por quinze carros de tração 4 x 4 (Nivas, Toyotas, Jeep Willys e Land Rovers) partiu nesta barca pelos 35 km de estradas alternativas e trilhas que contornam lavouras, sítios e fazendas, passando por pequenos vilarejos, que levam os aventureiros ao topo da serra. Estar dentro de um jipe em contato com tudo isso é uma sensação única. Pode parecer mentira mas no final do dia o jipeiro sente-se realizado – sujo! Tomado por uma admirável paz de espírito.
As trilhas do Quiriri, que são conhecidas por ter bastante lama, contavam apenas com uns poucos pontos de barro devido aos dias de seca que antecederam o nosso Off Road. Na subida o carro sofre, esquenta, aumentando a tensão dos tripulantes. Mas a emoção mesmo é na descida: são 35 km de cara com visual incrível do vale aberto!
O companheirismo faz do Off Road um esporte coletivo. Quando um obstáculo de maiores proporções aparece, a caravana pára e escolhe um cobaia – um piloto mais experiente, para vencê-lo. Um tripulante de cada carro sai e acompanha o trajeto que o cobaia escolheu. Feita a análise do sucesso da empreitada, volta ao carro para passar as impressões à tripulação. Pelo menos uma pessoa auxilia, fora do jipe, o cobaia.
A parte mais difícil e íngreme do trajeto corresponde aos últimos 12 Km de estrada que levam ao topo da serra, a 1.470 metros de altitude, localizados dentro de uma propriedade particular. Infelizmente todas as expectativas para este trecho foram frustradas: o acesso encontrava-se vetado!
O motivo da proibição ficou por conta da irresponsabilidade de motoqueiros que invadem constantemente a propriedade, correndo atrás do gado com suas motos e, ainda, deixam um rastro de lixo por toda a parte. Embalagens de óleo de motor 2 tempos causam o maior prejuízo aos fazendeiros: as tampas são ingeridas pelo gado, que chegam, muitas vezes a adoecer... Por conta desta total falta de respeito, não dá para tirar a razão dos proprietários. A tristeza é que todos pagamos pela idiotice de alguns.
O visual lá de cima é um presente que compensa a aventura nesta serra. Zettel descreve: ‘‘A vista lá do topo é um espetáculo! Em dias de sol e de boa visibilidade, podemos ver, à esquerda, as praias de Guaratuba e o mar, longe no horizonte, o balneário de Barra Velha, e aos pés da serra, com clareza, a cidade de Garuva em miniatura, os tetos dos carros, o brilho dos edifícios...’’
Apesar da dificuldade, a Turma do Niva venceu o trecho até a extinta Mina de Cal, o ponto mais longe que conseguimos chegar. As famílias resolveram se confraternizar com um merecido e necessário churrasco. (Colaborou Alessandra Gil)

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