''Foi Deus que abençoou. Pedi para minha esposa rezar muito e deu certo''. Márcio Alan Fidelis Fernandes, 28 anos, nasceu em um dos berços da fé nordestina Juazeiro do Norte, Ceará, terra de Padre Cícero. Não poderia explicar tristeza, felicidade, sem atribuir os acontecimentos da sua vida a algo divino.
Na tarde chuvosa em que o derby foi realizado, não havia alguém com mais vontade que ele. E depois do jogo, não havia alguém mais feliz. O baixinho (1m64 e 65 quilos) fez uma grande partida. Tocou a bola com inteligência, avançou sobre a marcação, usou sua habilidade (buriladas na quadras de futsal, onde defendeu o Banfort, equipe de ponta do Ceará até os 21 anos) para abastecer os atacantes. Fez até gol. Foi aprovado pela crônica e pela torcida, venceu, pelo menos por enquanto, no Sul Maravilha, e esqueceu dos tempos duros de desemprego.
Ele nem gosta de lembrar. No primeiro semestre de 2001 jogou no Confiança, de Aracaju. Não recebia salários e teve que atuar contundido. Deixou o clube sergipano e enfrentou batalha judicial para obter sua liberação. No segundo semestre, ficou desempregado. ''Corria e jogava pelada para não perder a forma''.
Chegou em Londrina no dia 7 e começou um trabalho especial para voltar em boas condições físicas. Hoje sonha em ajudar o Londrina a vencer o Coritiba amanhã. ''Não gostamos do empate contra a Portuguesa e agora temos que vencer''. Que suas orações continuem surtindo efeito. (L.F.M.)

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