O técnico Allan Aal reconheceu que a derrota do Londrina por 2 a 1 para o Sport, no último sábado (4), no estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), pela 3ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, passou diretamente pelo desnível entre titulares e reservas do elenco. O Londrina abriu o placar ainda no primeiro tempo, com Bruno Santos, e parecia controlar a partida. No entanto, após as mudanças promovidas pelo treinador na etapa final, a equipe perdeu força e acabou sofrendo a virada, com gols de Barletta, de pênalti, e Perotti.

Aal iniciou as alterações ao retirar o meia Thalis para a entrada do ponta Paulinho Moccelin, o que deslocou Iago Teles para uma função mais centralizada, mudança que gerou críticas da torcida no VGD. Em seguida, sacou Vitinho e o próprio Iago para colocar os jovens Caio Maia, que soma apenas dois jogos na temporada, e Juninho, com sete partidas em 2026. As mexidas tiraram de campo dois dos atletas mais influentes do time. Depois, o volante André Luiz deu lugar a Willian Chumbinho.

“Temos que trabalhar e dar confiança. Daqui para amanhã não se ganha porque foi feita a melhor substituição. Temos convicção de que o nosso grupo, em certas trocas, fica desnivelado, mas procuramos nivelar dando confiança no dia a dia e dando oportunidade, sem fugir das substituições, mesmo quando nosso time inicial está no limite físico”, afirmou Aal. O técnico admitiu que parte do elenco tem sentido a pressão dos jogos em casa.

Segundo ele, a pouca idade de grande parte dos jogadores pesa em momentos decisivos. “Por ser um time jovem, a ansiedade do torcedor e até nossa, no banco, de acelerar em alguns momentos, reflete na tomada de decisão. Isso ficou muito claro, até em atletas mais experientes. As decisões ofensivas foram ruins, não tecnicamente, mas na escolha da jogada, principalmente na reta final”, disse. “É um grupo novo. Com exceção do Paulinho, os que entraram têm menos de 23 anos. Esse é o perfil do clube e da montagem do elenco. Temos que dar confiança, corrigir situações e manter a competitividade e a agressividade.”

Aal admitiu que as trocas não surtiram efeito. Para ele, o processo de amadurecimento da equipe precisa ser acelerado. “Foi nítida a queda no final. Estávamos no limite daquilo que vínhamos fazendo: trabalhar com a bola no pé, pressionar mesmo quando errávamos. Perdemos duelos defensivos e ofensivos”, lamentou.

O técnico também comentou as vaias e os pedidos por sua demissão feitos por parte da torcida após o apito final. Aal foi xingado enquanto deixava o campo. Ele afirmou compreender a insatisfação, embora discorde do tom das reações. “É o segundo jogo que perdemos no ano. Culturalmente, o treinador sempre vai ficar ali, exposto, e o alvo vem. Temos experiência para lidar com isso. Entendemos, não concordamos, mas respeitamos. Vai ser comigo, com outro, com o terceiro, o quinto, o sétimo… vai ser com todos quando não tem resultado. Faz parte da profissão”, destacou.

Para ele, embora pressionado, é preciso insistir nas decisões técnicas. “Temos que assumir responsabilidade e demonstrar que o torcedor tem o direito de protestar. É muito fácil para o treinador se proteger: manter um jogador sem condições físicas, não fazer trocas e levar o jogo até o fim. Seria o caminho mais curto para mim, mas não é meu perfil. Tenho que tentar algo diferente”, completou.

Aal também explicou o desgaste físico do time, determinante para a virada rubro-negra. “O segundo tempo caiu demais fisicamente. As trocas não tiveram a resposta que esperávamos e isso influenciou no placar. Mas, quando o jogador está no limite e pedindo para sair, não tem alternativa: é preciso ter responsabilidade e fazer a troca, mesmo que a manutenção dele fosse benéfica. Quando não há condição física, não tem o que fazer. Temos que buscar no elenco as soluções para esse tipo de situação”, afirmou.

O treinador voltou a mencionar a limitação do plantel. Após o Campeonato Paranaense, a diretoria não fez contratações de impacto na janela mais recente. O único reforço foi o lateral-direito Weverton, trazido para suprir a saída de Maurício para o Fortaleza. O restante do grupo é o mesmo que disputou o Estadual e a Copa do Brasil.

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FICHA TÉCNICA

Londrina 1

Kozlinski; Weverton, Yago Lincoln, Heron e Kevyn; André Luiz (Chumbinho), Lucas Marques e Thalis (Paulinho Moccelin); Vitinho (Caio Maia), Bruno Santos e Iago Teles (Juninho). Técnico: Allan Aal

Sport 2

Thiago Couto; Augusto Pucci (Pedro Martins), Marcelo Ajul, Zé Marcos e Felipinho; Zé Gabriel, Zé Lucas (Clayson), Biel e Yago Felipe (Marlon Douglas); Barletta (De Pena) e Perotti. Técnico: Márcio Goiano

Árbitro: Bráulio da Silva Machado (SC)

Estádio: Vitorino Gonçalves Dias (VGD), Londrina (PR)

Público: 4.620 torcedores (total)

Renda: R$ 123.460,00

Gols: Bruno Santos (LEC, 22' 1ºT), Barletta (SPT, 22' 2ºT), Perotti (LEC, 43' 2ºT)

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