Depois de receber o apoio do técnico Paulo Comelli e de alguns companheiros, especialmente do zagueiro Ivanildo, o lateral-direito Gilson - um dos alvos das últimas críticas à instabilidade do Londrina nas duas primeiras rodadas da segundona paranaense - decidiu reagir.
A razoável atuação de Gilson diante do Comercial de Cornélio Procópio e o bom futebol que ele apresentou no coletivo de anteontem foram os primeiros sinais de que pressões o incomodavam.
No entanto, Gilson, um dos mais exigidos no treino específico sob as chuvas intensas de ontem à tarde, no Estádio Vitorino Gonçalves Dias (VGD), decretou o fim da má fase que ameaçava até mesmo sua permanência no Londrina. ‘‘Não iniciamos bem o campeonato, mas não vou me defender. Eu também não estava legal. Só que passaram a pegar pesado demais no meu pé. Sofri com isso, mas pensei em Deus e encontrei forças pra seguir minha carreira. É claro que eu não queria ir embora. Sinto que o meu lugar é aqui. Nossos torcedores verão outro Gilson contra o Assahi. Não tem segredo: pretendo mostrar o que sei’’, avisa o lateral, em tom de desabafo.
Comelli saiu em defesa de Gilson, que, até a semana passada, estava na mira do vice-presidente de futebol Célio Guergoletto. ‘‘Mais do que ninguém, conheço o potencial dele. Podem ver como ele já evolui tanto na marcação quanto nas chegadas pela linha-de-fundo’’, constata o treinador.
Ivanildo, habitualmente solidário aos colegas de equipe que enfrentam diferentes problemas, entende que Gilson precisava apenas de ritmo. ‘‘Estivemos juntos na Sãocarlense e posso testemunhar: o Londrina trouxe uma fera que vai nos ajudar muito na campanha da Série A-2. O Agnaldo (lateral-esquerdo) também jogou comigo em Ponta Grossa e, a exemplo do Gilson, tem muita experiência. No futebol, é fundamental que se dê tempo ao tempo...’’
Ivanildo, aliás, é um dos primeiros do grupo a reconhecer que o Londrina estava longe do entrosamento que ele considera ideal. ‘‘Que não esperem moleza. A segundona é barra pesada. Sempre digo isso aos mais novos. Lembro a eles que a imprensa e a torcida cobram pra valer. Só temos uma coisa a fazer: trabalhar sério para honrar nossa camisa e levar o Londrina lá pro alto’’, afirma o zagueiro.
O supervisor Lico disse ontem que o ciclo de contratações está encerrado para a primeira fase do campeonato. Ele voltou a telefonar para Airton - que marcou o gol de falta do Botafogo (PB) na derrota de 2 a 1 para o Flamengo (RJ), pela Copa do Brasil, anteontem à noite, no Maracanã -, mas o lateral-direito explicou que o clube não admite liberá-lo imediatamente. Segundo Lico, Airton é um dos possíveis nomes para a Série B do Brasileiro.
O técnico Paulo Comelli define hoje à tarde o time que pega o Assahi, domingo, às 15h30, no Estádio do Café, na penúltima rodada do primeiro turno da segundona. Comelli estará atento ao desempenho de Humberto, que se recupera de uma contusão no joelho e pode retornar ao meio-campo. Já o volante Paulo Sérgio, que não ficou no Joinville (SC), reapresentou-se ao Londrina.

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