Aliviado, Brasil enfrentará Camarões
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quarta-feira, 20 de setembro de 2000
Agência Estado De Brisbane, Austrália 
O Brasil conquistou vaga para as quartas-de-final no torneio olímpico masculino de futebol ao vencer o Japão, por 1 a 0, ontem. Alex estabeleceu a vantagem mínima para a seleção, logo aos cinco minutos de jogo. Mas o que começou como prenúncio de goleada, terminou em uma agonizante espera pelo apito final. Em mais uma má apresentação, o único brasileiro digno de menção foi o goleiro Helton. O Brasil enfrentará Camarões sábado às 6 horas. A partida vale uma vaga na semifinal.
A enorme pressão que se abateu sobre os ombros de toda a delegação brasileira pesou. Com a obrigação da vitória para garantir a classificação, a seleção entrou para a partida contra o Japão disposta a dissipar as dúvidas sobre seu potencial e devolver a derrota sofrida em Atlanta, há quatro anos. Com ingredientes que andavam em falta, como combatividade, velocidade e empenho, o Brasil partiu com tudo para cima do Japão, ressentido da ausência de sua estrela máxima, o atacante Nakata.
Menos de um minuto foi necessário para que o Brasil conquistasse um escanteio e assustasse os adversários. Cinco foram necessários para que saísse o primeiro gol. Fábio Aurélio cruzou da esquerda na cabeça de Alex que, inteligentemente, tocou no contrapé do goleiro Narazaki.
O gol precoce deu tranquilidade para que os brasileiros seguissem pressionando, mas a defesa preocupava, à exemplo das partidas anteriores. Bilica voltou a falhar e o Japão quase marca. Em jogada estabanada, Baiano e Edu subiram na mesma bola, literalmente bateram cabeça e o são-paulino chegou a ficar atordoado.
Com o passar do tempo, o Brasil esmoreceu e voltou a exibir falta de organização e objetividade. Ronaldinho, Geovanni e Álvaro, desperdiçaram várias chances de gol. Helton, por sua vez, assegurou a vitória parcial defendendo duas boas cobranças de falta.
O intervalo marcou a inversão de papéis. O Japão partiu para cima do Brasil, que, encolhido, antes dos dez minutos já havia escapado de sofrer o empate em duas oportunidades.
Luxemburgo tentou acertar a equipe com alterações: sacou Ronaldinho e Geovanni, apagadíssimos, para a entrada de Lucas e Roger. Já o Japão ganhou sangue novo com as entradas de Matsuda no lugar de Koji Nakata e de Hirase na vaga de Yanagisawa. Mas as substituições não chegaram a surtir efeito prático e, com a sucessão de erros das duas equipes, a partida perdeu muito em emoção. O que se viu foi um péssimo segundo tempo e o Brasil administrando a vantagem até o fim do jogo.
Fabiano ajoelhou-se em campo e ergueu as mãos para o céu assim que o árbitro francês Stéphane Bre encerrou a partida. O gesto do meia era uma demonstração da dramaticidade vivida pela seleção. Os japoneses foram melhores na maior parte da etapa final e quase conseguiram o empate, resultado que, naquele momento, poderia representar um risco a permanência da seleção na competição.
Saldo final: classificação garantida sem qualquer brilhantismo, revanche da derrota de Atlanta feita e manutenção das dúvidas quanto ao futuro da seleção no torneio. Além disso, também a suspensão de Edu, que recebeu o segundo cartão amarelo e não enfrenta Camarões.


